O blogger é atualizado de acordo com as batidas do meu coração. É um prazer tê-los comigo.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O TEMPO NÃO VOLTA

"Marcela, como vai?  Gosto demais do seu blog, apesar de até então, nunca ter encontrado nada que tivesse grande utilidade para mim, já que meu relacionamento de 15 anos sempre se enquadrou dentro de tudo o que você, seus seguidores  e eu, acreditam ser o ideal de um relacionamento feliz. Ledo engano. Para mim e para vocês. Evidências são evidências, não minimize isso - adoro essa sua frase. Mas e quando não há evidências? Não houve para mim. Casei-me na igreja, aos 25 anos, não tivemos filho por opção. Fui feliz em todos os aspectos que se pode imaginar. Desconheci tédio e rotina. Amávamos aventuras, salto de pára quedas, trilhas de moto, jeep na lama. Nossa escala de valores era mais próxima do que você poderia imaginar. . Nossas pequenas, raras e breves estremecidas, decorriam apenas da maldita bebida. Eu não bebo nada de álcool. E ele, quando juntava com turma, bebia mais do que eu gostaria. Impliquei no início, depois passei a deixá-lo se esparramar na cama até o dia seguinte, quando acordava normal. E nossa vida continuava. Até semana passada. Fomos ao casamento de um grande amigo trilheiro.  Comida e bebida farta, e ele levou isso muito a sério. Bebeu a noite toda, tudo o que lhe chegava às mãos. Começou a passar dos limites, falando alto, incomodando as pessoas. Tentei ficar o mais distante possível. Até que de longe, ouvi uma gritaria, e gelada, fui até lá, torcendo para que ele não estivesse no meio. Mas estava. Gritava com o garçom por um motivo qualquer. Pedi que ficasse quieto, ele gritou para que eu calasse a boca. Fiquei congelada. Ele jamais se dirigiu a mim daquela forma! Perdi o chão. Puxei-o pelo braço, ele me jogou longe e caí. Um amigo me ajudou, e eu, aos prantos peguei o carro e fui para casa. Em menos de 10 minutos ele chegou. Entrou no quarto transtornado me acusando de envergonhá-lo perante as pessoas. Achei melhor não dizer nada naquela hora. Ele continuava a berrar, parecia que uma faca atravessava meus sentimentos. Quem era aquele homem? Eu me levantei, dando as costas para ele, e já me encaminhava para o quarto de hóspedes, quando ele me puxou pelo cabelo, e me desferiu um murro no meio do rosto. Caí . Em frangalhos eu o olhei de baixo, ele parece que acordou naquele exato momento, ajoelhou-se ao meu lado e aos prantos, me pediu perdão. 
Onde estavam as evidências de que isso aconteceria? Onde coloco aquele homem sem medidas de amor, afeto, companheirismo, amizade? Os dias passam, ele me implora por perdão, diz não se lembrar de nada. E eu? Como faço para esquecer? Enterro aquelas horas, ou enterro os 15 anos? Sinceramente, não quero  te colocar o fardo de uma opinião. Só queria dividir com vocês e dizer que nem sempre existem evidências. Ou existiram e eu não vi"?
Oi Celma,  não é incomum uma mistura de álcool fazer uma pessoa entrar em um tipo de surto. Provavelmente foi o que aconteceu com ele. Como também digo, certezas não existem.  Quase sempre existem evidências. Quase sempre...sinto que você tenha ficado nesse quase. Ou não ficou? Quando ele bebia tanto e ficava desagradável, e vc o deixava dormir, guardava ali uma pequena evidência de que um dia, ele poderia passar  da conta.Poderia.Você desconsiderou esse risco que qq um que gosta de álcool, corre. Eu também teria desconsiderado, e acho que a maioria das pessoas tb.  Não tome nenhuma atitude precipitada. Como vc mesmo disse, são algumas horas X 15 anos. Horas que ele nem se lembra, e que vc talvez nunca vá esquecer. Vale a lição de que um minuto pode modificar o significado de uma vida inteira, para melhor ou para pior. E o tempo, não volta.

domingo, 30 de janeiro de 2011

COMO SABER SE É O FIM?

"Será que é hora de acabar"? Pergunta que martela na cabeça de muitos casais (inclusive há um livro com esse título). Difícil responder. Talvez o mais sensato fosse perguntar apenas "somos felizes?" Mas e se um estiver feliz e o outro não? Existe isso? Existe. Já vi muito marido dizer que para ele o casamento duraria a vida toda, e q não entende porque a esposa pediu o divórcio...Quando acontece aquele maldito e tão necessário DR, e um diz que não está feliz, que não é esse o tipo de relacionamento que quer, e o outro responde num baita susto: "Não???Mas o que te falta? Para mim está tudo bem". Essa é uma boa hora de pular fora. Quando o descompasso toma essa proporção, é o fim do fim. O outro não pode modificar o que para ele está bom. Concorda? Vc só se propõe a mudanças quando enxerga que algo está errado. Se está certo, então, ele vai continuar da mesma forma, e vc, vai continuar infeliz. Então, se sua opção de vida é ser feliz, vai ter que enfrentar a separação. Para algumas pessoas o mais importante é ter uma família tradicional, mantendo pai e mãe morando debaixo de mesmo teto junto dos filhos, e no futuro poder ser aquela casa típica dos avós, com mesa farta, esperando os netos e noras/genros. Felicidade tb é relativa. Cada um tem uma escala de valores pessoal. Interessante é encontrar alguém com uma escala próxima à sua.
Eu particularmente tenho imensa dificuldade em aceitar o óbvio - que em relacionamento a dois, nem sempre tudo está bem. Temos fases, como a lua. Mesmo assim, tento não me perder. E tenho bem definido até onde tudo pode chegar para não afetar o que defendo como sendo a minha felicidade. Isso é fundamental, porque senão quando acordamos um dia, percebemos que assim como Carolina, passamos tempo demais na janela olhando a vida passar.  

sábado, 29 de janeiro de 2011

AMOR QUE MATA

Ontem assisti na TV uma psicóloga forense, falando sobre o amor que adoece. Em  um linguagem clara, ela explicou que assim como alcool, jogos e drogas, amar demais é um vício, e como todo vício, destrói. Já sabíamos disso, certo? Mas completando, ela disse que as pessoas que sofrem desse mal, não desenvolveram auto estima, auto conceito, amor próprio na infância, e dessa forma, escolhem um objeto para ser alvo do seu amor, e o amam de maneira doentia porque o sentimento que ela destina ao outro, vai além daquele amor que normalmente se destina ao parceiro, ele dá também o amor que deveria ser dele mesmo, e assim,  o outro passa a ser seu amado, mas também seu rival. Claro que tudo isso passa pelo inconsciente. Obviamente, uma hora o objeto amado se cansa desse amor doente, e quer partir. Aí acontece a maioria dos crimes passionais, mata-se o rival - aquele que além de roubar o amor que eu deveria ter por mim mesmo, ainda quer ir embora e me deixar sem referência nenhuma, ingrato.
Fiquei pensando no tamanho da responsabilidade que nós, pais, temos sobre a saúde mental de nossos filhos (entre tantas outra coisa, claro). Na maioria das vezes os pais não têm tempo,  a criança sente-se rejeitada, e acaba por acreditar que pedir amor, leva ao sofrimento. Quanto mais espontânea é a criança, mais desaprovado é, e novamente vai acreditar que seu amor não vale muito. Ele perde a confiança em si mesmo, e em busca de aprovação e amor, esconde suas emoções, aprende a fingir, a manipular, e acaba por acreditar que amar é obedecer para agradar os outros. Criar uma criança, é respeitar sua individualidade, suas escolhas(sim, porque criança tem suas escolhas), é falar a verdade, é amar apesar de qualquer coisa. Só assim, a criança se torna um adulto seguro, capaz de saber o que deseja para si, o que o faz feliz, o quanto de amor merece, o quanto de felicidade almeja. Uma criança que aprende que "se você fizer isso, mamãe não vai gostar de você", corre sério risco de ser um pobre coitado submetido a qualquer tipo de relacionamento a dois, aceitando migalhas como forma de amor, ou sofrer daquele amor doente, que pode acabar com vidas, seja atrás das grades, seja com a morte.
Para se ter um filho é preciso consciência de que aquele bebê lindinho, vai fazer diferença no mundo - como um cidadão, ou como um assassino. Em ambos os casos, guardando a pequena parcela que pertence ao destino, a responsabilidade será dos pais.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

A DOR BATEU EM MINHA PORTA

Preciso confessar  que por mais  solidária que eu seja com as desilusões e perdas amorosas dos meus companheiros de blog, quando essa mesma dor bateu em minha porta, paralisei. É assim que me sinto hoje, inerte. Difícil ver filho chorando. Namoro longo desfeito. Sofrimento, assolando cada cantinho da nossa casa, que por solidariedade, parece criar vida, para poder dividir conosco, a falta daquela pessoa que nos marcou com sua presença querida,  por tanto tempo. Disse para os dois o que ouvi muitas vezes - isso também vai passar. E passa. Mas não soube responder a pergunta dela "vai demorar"? Não sei, minha querida. O tempo é relativo, às vezes é amigo, às vezes é cruel.
Lembrei-me de um namorado que tive dos 15 aos 18 anos. Terminamos o namoro antes do natal.  Desgaste dos anos, descompasso de projetos futuros. Nenhum motivo concreto no qual  eu pudesse me agarrar e dizer "pois é seu traidor, fiquei livre de você". Nada de ruim. Nenhuma acusação. Nenhuma mágoa. Cada pedaço de mim guardava a presença dele. Todas as roupas do armário, a almofada na cama, o urso de pelúcia na estante, os milhares de retratos - na praia, no campo, em casa, nos aniversários, nas festas.
Foram 3 natais, 3 reveillons, 3 aniversários, uma formatura, um vestibular.Como pedir que ele desse licença desses lugares todos? Jogando as roupas fora? Doando as almofadas e ursinhos de pelúcia? Rasgando fotos? E fazer o que com as lembranças que estavam na minha cabeça e no meu coração? Como foi difícil, meu Deus! Achei que fosse morrer, não morri. Achei que nunca mais encontraria alguém tão especial quanto ele, encontrei. Achei que quando tivesse no altar trocando alianças, me lembraria dele, não lembrei. Achei que quando meu primeiro filho nascesse, colocaria o nome que tantas vezes escolhemos juntos, não coloquei. Achei que jamais sentiria  prazer com outro,  senti. E assim, hoje ele é apenas uma doce lembrança. Muitas vezes percebo que meus 40 anos, querem desrespeitar os meus 20, minimizando aqueles sofrimentos, como se tudo fosse uma grande  bobagem. Mas não permito. Todas essa lembranças, boas e ruins, foram muito importantes. Cada uma delas, sou eu. Nada nem ninguém foi mais como antes. Nunca é. E nem será. A vida voa,e as pessoas tentam acompanhar.
Nesse término do namoro do meu filho, lembrei de mim, lembrei desse namoro, dessa dura separação. Para eles também está sendo assim. Sem motivos concretos. "Mãe, cada roupa do meu armário, guarda um pouco dela". "Marcela, seria tão mais fácil se tivesse um motivo". Eu sei, eu sei... Mas não vale manter uma relação que ficou preta e branca, se um dia ela foi tão colorida! É preciso ter bem definido dentro da gente o que queremos, o que merecemos. Esse é o termômetro de nossa felicidade. Para ser feliz é preciso antes de tudo, coragem. Não há separação sem dor, mas separar não significa acabar. Tudo continua, de outra maneira, mas continua. Não acabaram os sonhos, as expectativas de futuro, os planos para o próximo verão. Meus amores, tudo precisará ser refeito, mas a vida segue, guardando um brilho novo e diferente para cada um de vocês dois. E eu, fico aqui, na primeira fila torcendo para que cada um seja muito, mas muito feliz! Amo um e amo o outro, como um dia amei os dois juntos.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

VINGANÇA NO ALTAR

M.é uma amiga muito especial, com quem fiz alguns cursos de taro e reiki, e mora hoje no interior de SC.  Telefonou-me e contou um fato que merece espaço aqui.
L, uma aluna sua de tarot, jornalista, 26 anos, namorando há 3 um advogado, ia casar-se no sábado passado, dia 22. Um mês antes, L procurou M. e lhe contou aos prantos que o noivo mantinha um caso com a sócia do escritório de advocacia. Ela tinha montado todo um esquema para confirmar o que lhe chegara aos ouvidos, e não havia mais nenhuma dúvida do caso entre os dois. Ela não tinha ido pedir opinião, apenas queria desabafar. Falou, chorou, questionou, tentou encontrar motivos, até que chegou a conclusão, que para muitas coisas não há repostas racionais que possam atender nossos anseios, e assim nos aliviar.  Ela não era burra, não era chata, não era fútil, não era torta, não era suja, não era mau caráter, não era egoísta, não era submissa, nem era autoritária, mas...aconteceu. Porque ele não terminou? Porque não assumiu a outra? Porque não foi homem suficiente para dizer que não a amava mais? Porque, porque, porque. "Então, porque não conversar com ele ao invés de ficar se remoendo em dúvidas"?"Se eu não mereci essa consideração da parte dele, ele tb não merece da minha".
M. lhe telefonou dias depois e ela não lhe deu atenção, apenas disse que lhe esperava na igreja. "Decidiu por se casar?" Ela não respondeu, apenas disse "Até lá".
Entrou linda! Parecia uma cigana. Vestido pérola de tecido muito fino, tomara que caia, várias saias que pareciam voar enquanto ela caminhava lentamente em direção do altar, deixando a mostra sua sandália rasteira trançada pelo tornozelo.Uma trança salpicada de flores lhe caíam por sobre ombro esquerdo, e na testa ostentava uma fina tiara de pérolas. Nas mãos,orquídeas brancas. Entrou sozinha, não quis que o pai lhe acompanhasse. Ninguém entendeu. O noivo a recebeu, e ela entregou a orquídea nas mãos da amante do marido, e  madrinha do casamento. Toda a cerimônia transcorreu normalmente, até que o padre lhe fez a habitual pergunta, e ao invés do esperado sim, ela disse não. Todos olharam atônitos! Ela se virou, pediu o braço ao pai, e quando começava a descer as escadas, a "outra" se apressou em  entregar-lhe o buquet. Ela olhou-a fixamente e, segundo M, foi um momento de suspense para todos, ela pediu o microfone ao padre e disse: "fique com a flor, e também com o  noivo, que divido com você há mais de 1 ano". Tomou o braço do pai e saiu exatamente como entrou - de cabeça erguida, desfilando pelo tapete vermelho, linda!

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

ATITUDES QUE NÃO MERECEM 2ª CHANCE

Entrava em uma boate recém inaugurada em BH com meu marido, e fui direto ao banheiro, mas não para retocar a maquiagem ( pq para mim "com licença vou à toalete retocar a maquiagem" é  coisa só de novela), e enquanto despistava, fingindo lavar as mãos vi a garota aos prantos. Banheiro cheio, percebi que ninguém se voltou para ela, e eu, me sentindo "a mãe" fui lá saber se podia ajudar.
Estávamos no bar e apesar da música alta um "vai tomar no olho do seu cú, vaca!", soou nitidamente aos ouvidos das centenas de pessoas que lá estavam, pq todos olharam exatamente para a mesma direção que eu. Dei de cara com uma garota de no máximo 15 anos. Lindinha, clara, cabelos cacheados castanhos claros, short jeans com meia fina e bota preta de cano alto, trazia na baby look cinza uma foto de Bob Marley. O rapaz, podia ter no máximo 17 anos, tão bonito quanto ela. Imaginei como aquelas duas crianças tinham entrado na boate. Ele estava fora de si, e após berrar o insulto acima,  chacoalhou-a segurando-a pelos braços umas três vezes. Ninguém se moveu "na platéia". Foi tudo muito rápido, e quando vi, ele já saía. Ela ficou ali, sozinha por uns instantes, e saiu na direção do banheiro. Fiquei atordoada, pensei nos meus filhos e não sosseguei enquanto não fui até ela.
-Posso lhe ajudar? E ela dependurou-se no meu pescoço como se fóssemos íntimas. Passei a mão pelo seus cachos e balancei seu corpo devagar, para acalentá-la. As pessoas olhavam, mas ela não via nada a sua volta. Quando se acalmou, passou as mãos pelos cabelos ajeitando-os e me olhou envergonhada. Perguntei se estava sozinha, ela disse que os pais estavam no andar de cima. Percebi que era uma menina educada, tive curiosidade em confirmar sua idade - 16 anos. Errei por pouco. Perguntei se queria que chamasse sua mãe,  ela lavava o rosto, e virou-se depressa me pedindo que por favor, não fizesse isso. Perguntei se queria conversar, ela desculpou-se e disse que não, e emendou dizendo que os pais dele também estavam lá, que eles namoravam há 1 ano.
-Poderia pelo menos te dizer uma coisa que diria à minha filha? Ela balançou a cabeça afirmativamente.
-Ninguém nunca vai te respeitar se você não se der o respeito. Aquele rapaz só fez aquela cena com você, porque você permitiu.
-Eu não permiti. Ele nunca havia feito nada parecido antes.
-Mas fez agora, pela primeira vez, e se você desculpar, uma dia ele vai fazer a segunda, a terceira, até começar a bater em você.
Você precisa acreditar com a alma, que em sua vida, não há espaço para pessoas que têm esse tipo de atitude em relação à você. Você precisa ter absoluta certeza de que nunca aceitará nada menos do que ter ao seu lado quem  lhe dê carinho, atenção, afeto, companheirismo e amor. Isso é básico, e se você acredita, ninguém pode mudar isso.
Ela me deu um abraço e saiu.
Minha noite ficou destruída. Nem sei porque o rapaz disse aquilo para ela, e nem me interessou saber, pq absolutamente nada justificaria aquela atitude.
Sempre ouvimos que todos merecem uma segunda chance. Também acho. Mas ainda sou radical quando o assunto é relacionamento. Confesso que já fui mais, o tempo amansa a gente. Há vários deslizes dentro de uma relação, que podem merecer outra chance, mas desrespeito verbal ou físico? Nem no meio da multidão, nem dentro de um quarto fechado.
Eram 4hs da manhã, e quando pegávamos o carro no estacionamento, lá estava a menina, aos beijos com o rapaz que algumas horas atrás a desrespeitava e a magoava. Uma mágoa que ela só vai compreender a sua extensão e o estrago que causou dentro dela, quando o tempo passar.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

SEXO DÁ PARA COMPRAR

"Veja histórias de mulheres que caíram na lábia de estelionatários. Eles se passaram por amantes e namorados apaixonados e roubaram quase tudo o que elas tinham. Especialistas alertam para este tipo de golpe que está ficando cada vez mais comum no país".
Relendo o belíssimo "A Viagem de Théo", fechei o livro, e fui assistir a essa reportagem da Record. Senhor do céu!!! Do que uma mulher carente é capaz ...Só ela não enxerga o que o mundo inteiro está vendo! Só ela não percebe o que até mesmo uma criança é capaz de perceber... Os relatos são todos parecidos, as artimanhas dos "bons amantes" são idênticas! Se esse golpe está ficando cada vez mais comum no país, isso significa que grande parte das mulheres são tidas como presas fáceis, e muitas realmente são! Todas estão com a vida financeira estabilizada, possuem casa própria, carro, viajam mais de uma vez por ano a passeio,  vestem roupas de marca, tem nível  superior, a maior parte tem mestrado, lêem pelo menos um livro por mês, convivem com pessoas de excelente nível cultural e caem nessa armadilha! Porque??? Gente! Carinho a gente tem de amigo, de parentes, até do bicho de estimação... Companhia, também se pode ter (além dos citados acima) de bons filmes, bons livros, bons programas de tv...Sexo, hoje em dia não é mais problema, fora os antigos conhecimentos a que todos temos acesso, existe sex shop até com entrega à domicílio! Agora, se vc não abre mão do homem de verdade, de carne, osso e outras coisinhas mais, pegue o telefone, ligue e pague pelo sexo. Pelo menos esse é uma ato consciente, vc quer e pode pagar, então pague! Agora pagar por carinho, companhia e amor? E acreditar nisso? E é isso que as mulheres da reportagem fazem quase inconscientemente. Acreditam no que querem acreditar, não porque querem sexo, mas porque buscam ser amadas. Qualquer um sabe que amor não se compra. Sexo sim, mas amor? Será que carência emburrece? Aquelas mulheres realmente acreditaram que estavam sendo amadas, e ficaram dilaceradas quando entenderam que tudo aquilo não passava de um golpe financeiro.
Ninguém é melhor que ninguém, todos estão sujeitos a derraparem por aí, por mais livros que leiam, por mais cultura que tenham, mas é aquilo que sempre digo - evidências existem para serem percebidas. E de alguma forma, elas sempre existem. Um cara que no 2ª dia lhe pede emprestado o cartão de crédito...

domingo, 23 de janeiro de 2011

DOENÇA DE AMOR


Achei essa reportagem muito interessante, e mesmo sob outra abordagem, reforça a importância, sempre evidenciada no blog, de se repensar os relacionamentos. Divido com vocês, parte dela, e cito o autor no fim da reportagem.
"Síndrome do Coração Partido é uma doença que tem chamado a atenção de especialistas e esta relacionada diretamente ao estado afetivo das pessoas em relação ao sentimento do amor. Isso quer dizer que a expressão popular “morrer de amor” nunca foi tão real, o que tem despertado o interesse da ciência para explicar casos de infarto e outras complicações cardíacas causadas pelo sofrimento de uma relação amorosa mal acabada ou não correspondida. O nome técnico é Cardiomiopatia de Takotsubo. Dois terços dos pacientes são mulheres na faixa pós- menopausa, que passam por eventos fortemente emocionais ou por grande estresse físico. Os sintomas são praticamente os mesmos de um ataque cardíaco.
Qual é a extensão dos danos que, por exemplo, o estresse provocado por uma notícia indesejada como o rompimento inesperado de um namoro, noivado ou matrimônio pode causar para uma pessoa? Considerando que o amor é um tema extremamente presente em nossas vidas e que a temática dos relacionamentos amorosos é uma de suas áreas mais importantes, o fim de um romance pode fazer sim o coração sofrer e debilitá-lo de tal forma, que pode ser confundida com um ataque cardíaco. E não há nada de poético nisso. Trata-se da Síndrome do Coração Partido, que difere de um ataque cardíaco porque nela os pacientes se recuperaram plenamente e, não sofrem danos duradouros no músculo cardíaco. A Síndrome do Coração Partido é uma metáfora exagerada e bastante utilizada para ilustrar a sensação de uma decepção amorosa real, comum aos relacionamentos interpessoais amorosos infelizes. Inicialmente foi descrita em orientais, no início dos anos 90, como uma nova síndrome cardíaca, caracterizada por uma disfunção ventricular esquerda transitória, tipicamente com aspecto de armadilha para pegar polvo (em japonês, Tako-tsubo) porque suas imagens, quando realizado o cateterismo cardíaco, assemelham-se às armadilhas usadas pelos pescadores locais para apanhar polvos (Satoh, Tateishi & Uchida, 1990).
Desde então, na literatura científica, aparece associada a situações de estresse físico ou emocional, na qual, eventos estressantes precedem e parecem desencadear o início de infarto agudo do miocárdio (Bunker et al, 2003; Dote et al., 1991; Kurisu et al. 2002; Mesquita & Nóbrega, 2005; Strike & Steptoe, 2005).
Contudo, este quadro não se restringe simplesmente aos relacionamentos amorosos que deixam nefastas conseqüências. Há outros desencadeadores para a Síndrome do Coração Partido, donde se percebe que o denominador comum é o súbito estresse provocado por uma perda juntamente com a incapacidade de elaborar o luto para seus acometidos (Mesquita & Nóbrega, 2005; Wittstein et al, 2005).
Atualmente, não há nenhuma forma adequada para o tratamento desta patologia, embora se recomende tratamento, ainda que de curto prazo para debelar os sintomas e as causas. O que há disponível em relação à parte médica são tratamentos que dão suporte ao coração por meio de medicamentos que reduzem o trabalho do mesmo. Algo muito importante na área médica é o acesso à informação.
 É muito importante distinguir a Síndrome do Coração Partido de um ataque cardíaco para que as pessoas vitimizadas possam ser tratadas adequadamente e saibam que seus corações estão saudáveis, em vez de serem informadas de que padecem de uma doença coronária, e assim, tomarem remédios para o coração para o resto das vidas.
 Psicólogos podem ajudar as pessoas de uma forma melhor a manejarem seus estresses cotidianos, bem como a elaborarem possíveis fases de luto, nas diversas formas em que eles se apresentem para as pessoas, e isso reduz os riscos, ou ainda, catalisa a convalescença dos atingidos. Contudo, para não reduzirmos tudo a um mero “psicologismo”, primeiramente as pessoas que sentem que estão em perigo, ou já foram atingidas por tal patologia, devem se encaminhar primeiramente para um cardiologista com vistas a esclarecer a causa desse sintoma. Uma vez excluída a causa orgânica, ou seja, diagnosticado que o coração não tem problema, então se pode procurar um psicólogo a fim de tratar do problema. Embora, conjugar as duas formas de tratamento aos que possam se submeter a ele é ainda mais benéfico".

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

APOSTANDO NA VIDA REAL

"Casei-me com 16 anos, grávida de 3 meses e completamente apaixonada, fissurada, enlouquecida de amor pelo único e idolatrado homem da minha vida. M. tinha 5 anos a mais do que eu. Era lindo! E ficou feliz em nos casarmos. Na hora do sim, o padre perguntou-lhe se eu era o biscuit  de cima do bolo ou a noiva de carne e osso. De fato, eu era uma boneca. Formávamos um belo casal.  Meus pais lutavam com mais dificuldade, enquanto os dele, tinham uma vida  estabilizada, e assim, fomos morar em uma casa  que os pais dele nos cedeu. Nossa casa tb parecia de boneca. Tudo na minha vida parecia um conto de fadas! M. trabalhava como técnico em informática de uma empresa, e às vezes viajava para dar assistência nas filiais. Eu chorava...não sabia dormir sem estar abraçada nele. Nosso filho nasceu, e tudo continuou encantado. Nunca me pesou desempenhar o papel de mãe aos 16 anos. Eu não sentia falta de nada. Tinha minha casa de boneca, meu bebê e meu príncipe. Fiquei grávida pela segunda vez.  Nasceu outro menino lindo! Eu tinha praticamente gêmeos, os dois mamavam no peito. M. me ajudava mais do que eu poderia imaginar que algum marido o fizesse. Vivíamos os quatro grudados. Queria muito uma menina, e ele concordou de tentarmos. Quando meu caçula tinha 4 anos, engravidei. 
Minha gestação corria muito bem, estava de 6 meses, e era mesmo minha tão sonhada menina! Entardecia quando ele chegou do trabalho e não me deu o beijo de sempre. Entrou depressa e quando cheguei no quarto ele estava com a cabeça entre as mãos, assentado na cama, com uma bolsa perto dos pés. Posicionei-me ao lado dele, que se voltou para mim, quase com raiva, segurou-me pelos braços e falou alto:"estou indo embora de casa, me apaixonei por outra mulher. Isso aconteceu  dois meses atrás, e não posso mais suportar essa situação. Estou indo morar com ela, mas  vou continuar dando assistência a vocês". Como eu ia desconfiar daquele futebol no clube aos domingos pela manhã? Ele nunca modificou sua maneira de ser. Transávamos bem menos, mas não era porque eu estava grávida? Realmente nas outras gestações isso nunca foi empecilho, mas...era a nossa menina, pensei que ele estivesse sendo mais cauteloso. Ele realmente passou a chegar em casa domingo à noite, antes chegava para o almoço, mas acreditei que fosse para me poupar de fazer almoço, já que as crianças sempre ficavam com minhas irmãs no domingo.
Minha bonequinha nasceu linda. Fui mãe novamente, logo quando voltei a ser filha. Assim que ele se foi, mudei-me com as crianças para casa de meus pais, dormia no canto da cama da minha mãe. Chorava quase 24 hs. Fui definhando aos poucos. Dessa vez não tive leite. Quando minha filha completou 1 ano, ele chegou lá em casa da mesma forma que partiu, de modo intempestivo, foi entrando sem cumprimentar ninguém. Mais uma vez fui atrás dele. A cena foi a mesma, cabeça entre as mãos, assentado na cama, me pegou com força pelos braços e disse" Me perdoe pelo amor de Deus. Fiz uma besteira sem medidas e nem sei te explicar porque. Acho que não era eu! Por favor, me aceite de volta." Estava em prantos. Nem precisei aceitá-lo de volta, já que nunca tinha o deixado ir. Voltamos para a casa em que morávamos. Todos ficaram contra mim. Comecei a trabalhar. Já não era mais a mesma, entendi o que sempre ouvi - sofrimento modifica a gente. Mas o amava com a mesma obsessão. Até que ele arrumou outro caso, e depois outro, e depois outro. Nunca me separei dele. Os filhos cresceram e com os anos, eu diminuí - nos sonhos, nas esperanças, na vitalidade. Hoje faço 46 anos, e chegou meu primeiro neto. Estou muito feliz! Continuamos, lado a lado, não juntos. Dormimos em quartos separados, ele tem suas amantes, eu tenho meus filhos, minha casa, meu trabalho, muitos amigos, minhas viagens, e agora, um  neto! M. é um grande amigo. Trocamos idéias, quando fiquei doente, ele não soltou a minha mão, não somos um casal, mas somos parceiros. Ainda fiz sexo com ele por  muito tempo, misturando-me às suas amantes. Depois perdeu o sentido. Não sinto falta. Guardo comigo as lembranças do conto de fada que eu, sem dúvida nenhuma, vivi com toda intensidade que me foi possível. O castelo desmoronou, mas eu fiquei de pé".
Querida J. você ainda é tão jovem, já é avó, já viveu tantas coisas, mas tem tantas outras que poderá viver. Basta fazer essa opção. Guarde com vc o conto de fadas, mas busque viver uma vida real. Aposte em vc, em uma relação de verdade que vc ainda não viveu.Viver apostando em um conto de fadas aos 16 anos é compreensível, mas viver apenas dessa lembrança aos 46? Não faça isso com vc! Vc merece mais. Saia do castelo que vive dentro de vc e vá de encontro ao mundo real! Dê-se essa chance! Bjos

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

ATIRE A PRIMEIRA PEDRA SE QUISER, PORQUE EU, DOU FLORES

Chegou um e-mail de uma leitora que não quis postar no desabafo, mas me pediu que contasse aqui a sua história. Leca nasceu em uma família simples, de oito irmãs. Começou trabalhar muito cedo e como era muito bonita, sempre precisava se esquivar do patrão, um senhor, segundo ela, metido e "nojento". Nunca cedeu às suas investidas, cheias de promessas de vida fácil. Muitas vezes pensou no quanto isso poderia facilitar a vida de toda a sua família, mas nem assim achou que valeria o sacrifício. Ela era tida na pequena cidade como uma garota "fácil", e se ser fácil era sair e transar com quem eu tinha vontade, então, eu era fácil mesmo. Não aceitava sair com homens casados, porque não queria se machucar e nem com homens que não lhe atraíssem , mesmo que tivessem muito dinheiro. Nunca se apaixonava pelos rapazes com quem se relacionava. Mas se gostasse do sexo, saía com ele por meses, às vezes até anos. Levava uma vida como as garotas de 18 anos, estudava, trabalhava, e...saía com todos os homens que tinha vontade. Nunca entendeu a diferença que as amigas tentavam lhe mostrar entre o que o homem pode, e a  mulher não. Mulher fica falada. Fica? Então, falem de mim.
Com 23 anos conheceu um rapaz que lhe tocou o coração. Meigo, doce, tranquilo. Diferente dela falava baixo, tinha gestos contidos e era muito tímido. Ela lhe pediu em namoro no mesmo dia, e 3 dias depois teve que lhe perguntar se não iriam transar. Ué, ele não tomava iniciativa, tomei eu! Ele lhe dizia que amava esse jeitão sincero dela. Namoraram por 1 ano, enquanto ela continuava saindo com todos os outros homens pelos quais se sentia atraída. Fazer o que? Amanhã eu morro, e deixo de viver o que tenho vontade.
Casaram-se contra a vontade da família dele, que até gostava dela, mas não considerava que fosse a moça ideal para formar uma família. Ele não era rico, mas levavam uma vida confortável. Era dentista concursado de uma grande firma, e se contentava com isso. Ela era a melhor dona de casa que um marido poderia querer. Nunca gostei de ter ajudante, gosto de cuidar das minhas coisas, cozinhar para o meu maridinho, lavar suas roupas e deixá-las bem cheirosas. 
Mas o descompasso sexual entre eles era grande. Ela gostava de sexo o tempo todo, e ele gostava de tempo para fazer sexo. Tinha que ser em noite tranquila, quase com dia marcado. Isso a matava de raiva! Ela, sem travas na língua dizia que queria e pronto! No começo ele aprendeu a se encaixar ao ritmo dela, e ela se deu por satisfeita. Claro, até que aparecesse um encanador de 1.90 mt e cheio de músculos. Aí tb é demais, né? O que eu podia fazer a não ser seguir meus desejos? Ficou grávida do marido,nasceu gêmeos lindos! Eles eram o casal mais feliz do mundo. Ela amava cuidar de seus bebês e pela primeira vez teve uma ajudante em casa. Ficou totalmente absorta no papel de mãe, que ela amava desempenhar. Mas sem esquecer um só segundo do meu maridinho. Quem arrumava as roupas para ele era eu, quem fazia sua comidinha era eu, e fazia cafuné até que ele pegasse no sono. Ele foi um pai maravilhoso! Não deixava que eu acordasse à noite para cuidar dos bebês...
A festa de um ano das crianças foi uma super produção, no sítio dos sogros, que já a adoravam e a respeitavam porque entre todos os filhos, esse era o mais bem cuidado, amado e mimado pela esposa. Mas aquele garçon...já tinha um ano que eu não tinha tempo de olhar para o lado, e quando me vi, estava trancada no celeiro com aquele mulato maravilhoso! Foi tudo de bom...sabe que nem sei o nome dele?
Os anos se passaram, os filhos cresceram, entraram na faculdade. Nunca deixei que ninguém cuidasse deles. Fui atenda, nunca faltei reunião de escola, nunca esqueci uma vacina, nunca os deixei com babá. Sempre fui uma leoa com meus pimpolhos. Ela voltou a ficar sozinha com o marido, e continuuo a mesma. Cuidando da  casa com todo o zelo do mundo, fazendo a comida do marido todos os dias com o maior amor e carinho, lavando e passando suas roupas cheirosas. Fazem sexo raramente. Ele não é muito animado. Ela continua totalmente animada! Por isso, faz alguns anos, alugou um apartamento, onde leva seus amantes, nunca fixos, nunca conhecidos. Ela soube que um colega de trabalho contou a ele, e ele fingiu que não ouviu. Até comentou com ela "o absurdo que o colega lhe disse". Se a consciência dela pesa? Não.
Certa vez, estava no apartamento com um representante de produtos químicos maravilhoso, e quando olhei no relógio eram 19hs, hora do meu amor jantar. Ele me perguntou se ele não sabia arrumar o jantar sozinho. Eu lhe disse que o jantar estava todo arrumado, mesa posta, não tinha nada mais a fazer, e ele questionou porque então, eu teria que ir. E eu lhe respondi: porque eu quero ir, porque eu tenho prazer em esperá-lo em casa, em arrumar seu prato, em jantar ao seu lado, em vê-lo feliz ao me ver ali. Em primeiro lugar na minha vida, vem meus filhos e meu marido, o sexo vem em segundo.
Uma amiga íntima lhe perguntou se ela não temia que os filhos, já adultos, descobrissem como ela levou  sua vida. Não. Levei minha vida sendo fiel ao que acredito. E vou mandar que perguntem ao pai se ele foi feliz ao meu lado. Porque sei que foi e será até o último minuto de nossas vidas.


Minha cara, atire a primeira pedra quem quiser, porque eu não tenho nada a lhe atirar a não ser flores. Prazer em tê-la aqui, dividindo seu relato conosco. Bjos. Marcela

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

PORQUE FUI TRAÍDA?

Marcela, adoro seu blog que tem sido para mim uma fonte de estímulo e alento. Tomei coragem e quero expor minha história.
"Namorava desde os 13 anos um rapaz 10 anos mais velho que eu. Excelente pessoa,  respeitador, paciente, aceitava todas as imposições dos meus pais - não podia sair de casa para lugar algum, só namorava até as 21hs com meu irmão ao lado, beijo só rapidamente no portão. Assim ficamos até os meus 17 anos, quando o irmão da minha mãe, que morava conosco, tentou me estrupar. Fiquei desesperada e contei aos meus pais. Nenhum dos dois ficou do meu lado, disseram que era fantasia minha. Meu namorado me apoiou, e na mesma hora fomos à casa dos pais dele que me deixaram ficar lá a partir daquela noite, e em uma semana, nos casamos no cartório. Minha vida começou com uma dificuldade sem explicação. Não tinha nada em casa, nem tv, nem geladeira, nem armários. Apenas um fogão e alguns utensilios de cozinha que minha sogra me deu. Dormíamos em colchas espalhadas pelo chão. Minha revolta era descomunal com o rumo que minha vida tomou porque meus pais não acreditaram em mim. 
Planejávamos nos casar quando conseguíssemos comprar nossas coisas, e contamos que isso levaria ainda 3 anos, e tudo teve que ser feito de qualquer maneira, como se eu fosse uma criminosa fugindo do local do crime, enquanto meu tio, cotinuava lá, com o conforto de sempre. De qualquer modo agradecia a Deus todos os dias o marido maravilhoso que eu tinha. Ele era tudo para mim. Meu amor, meu amante, meu amigo, meu pai, meu protetor. Ele dirigia um táxi, e eu comecei a fazer unha para fora. Aos poucos fomos comprando nossas coisas. Nesse meio tempo fiquei grávida. Tinha ainda 17 anos, e nenhuma noção do que era ser mãe. Meu marido novamente foi meu suporte. E criamos nossa filha com toda dedicação. Mal via meus pais, e nem fazia questão disso. Parei de trabalhar, pois quando pude colocar minha filha na creche, fiquei grávida do 2º filho. Meu marido chegava em casa e fazia tudo para mim. TUDO MESMO. Deixava o almoço pronto para o dia seguinte, lavava roupas, arrumava a casa, dizia que eu precisava descansar para continuar amamentando. Eu o amava a cada dia mais. Quando eu pensei que ia voltar a minha rotina e dar um descanso para meu marido, me vejo grávida do 3º filho, ainda no resguardo. Fiquei desesperada. Chorava sem parar. Ele largou o táxi por 3 dias para ficar comigo. Me deu colo, comida na boca, banho. Eu não saia da cama, e ele fazia tudo, olhava as crianças,  cuidava da casa e de mim. Meu desespero não era pelo novo bebê, mas pelo impedimento de trabalhar e ajudá-lo a conquistar as coisas. Nessa época nossa casa já tinha mais conforto, já tínhamos o básico. E nasceu meu 3º filho, nem assim o médico quis fazer a ligadura, por causa da minha pouca idade. Meu marido, que tinha medo até de injeção, foi lá e fez a vasectomia. Tudo, tudo mesmo o que ele podia fazer para me aliviar, ele fazia, sem medir esforços. Eu era uma mulher muito feliz ao seu lado. Nunca senti falta de nada. Nem de amigas, nem de saidas, nem de dançar(que eu sonhava fazer qdo me casasse), nem de estudar. Ele não me deixava sentir solidão ou carência. Se marido perfeito existisse, seria ele. Se existisse. Um doutor importante da cidade lhe contratou para ser seu chofer partircular, com um salário muito melhor, plano de saúde, cesta básica. Na hora concluímos que era o melhor. De cara, ele teria que ficar 3 meses trabalhando em uma outra cidade, e vinha em casa só aos fins de semana. Choramos os dois uma noite toda, eu achava impossível me acostumar com o dia a dia sem ele, e ele , sem mim. Mas sabíamos que era o melhor para o nosso futuro. Ele contratou uma faxineira 3 vezes na semana para me ajudar, meus filhos maiores já estavam na escolinha e eu comecei a fazer unha na minha casa. Estava feliz.
Um fim de semana ele disse que não viria porque o chefe precisava dele lá. No sábado seguinte ele chegou e não fizemos amor naquele fim de semana. Estranhei, ele disse q estava com mta dor de cabeça. Cuidei dele e cheguei a ficar preocupada, pois ele nunca sentia nada fisicamente. Pedi que procurasse um médico. Nós dois éramos "quentes", tínhamos uma química perfeita, pois depois de muita paciência da parte dele, esqueci aquela terrível tentativa de estrupo e me soltei. Passaram-se 3 meses, ele continuava aquele príncipe encantado, a não ser pelas vindas intercaladas em casa nos fins de semana. Mas se o patrão precisava dele, fazer o que?
Um dia o telefone tocou na minha casa. Era uma mulher que dizia ser a namorada dele. E me contou tudo o que ele fazia por ela. Como ele era carinhoso com ela e com as filhas. Meu mundo desmoronou! Caí em uma depressão profunda em segundos. Minha mãe pela primeira vez, compareceu, ficou comigo, enquanto minha sogra cuidava das crianças. Ele ficou ajoelhado no canto da minha cama, chorava sem parar, e me pedia perdão. Largou o emprego, voltou para o táxi. Nem sei quando tempo se passou até que eu tivesse força para levantar da cama. Nunca pensei em largá-lo. A dor daquela traição extrapolou o limite da cama, foi muto além... Oito anos depois continuamos juntos. Nunca mais o amei como antes. Ele é o mesmo comigo, faz tudo o q se pode imaginar para mim. Não sou feliz, mas vivo em paz. Cada vez que leio os depoimentos do seu blog, concordo que cada um tem uma escolha muito particular. Cada um decide o que é melhor para si. Eu não me arrependo da minha decisão. Sou amada, sou mimada, sou cuidada, apesar de ter sido traída. Só não entendo porque fui traída..."

Cara J. nem se eu vivesse mil anos teria essa resposta para lhe dar. Não entendo porque vc foi traída, sua história não dava nem vestígios de que isso ocorreria, não é? Talvez essa traição tenha lhe doído mais do que a traição do seu tio. Vou seguindo, me entristecendo, me comovendo, me solidarizando com as histórias de vocês, e cada vez que busco entender as relações, entendo menos. Mas não vou desistir. Te desejo felicidades. Fique com Deus. Beijos.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

TRANSFORMANDO UM PÉ NA BUNDA EM ARTE


Recordo-me que em 2009, estava ansiosa esperando pelo debate que ocorreria, na Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), entre Sophie Calle e Grégoire Bouillier, seu ex-namorado, com quem viveu por sete anos. Ele finalizou o relacionamento através de um e-mail, que ao final dizia:"cuide-se".  Como ela mesmo disse, "fiz do limão, uma limonada". Em protesto (apesar dela negar),  enviou o e-mail a uma centena de mulheres e as pediu que o interpretassem, cada uma a seu modo. A partir daí, nasceu uma exposição que ganhou o mundo. O ex-namorado, por sua vez,  se sentiu invadido  ao ver sua vida exposta. Segundo li, ele disse que esperava que ela o procurasse(!) após o e-mail, para que conversassem pessoalmente, mas que ela simplesmente sumiu. Enquanto Sophie justifica que perante o susto, acompanhado da falta de consideração, decidiu digerir o fim da relação, imposto por ele, da forma que achou conveniente. 
O que mais me chamou atenção no debate ( a primeira vez que os dois se encontravam pessoalmente) foi que quando ele quis justificar o trabalho dela, separando a vida da arte, através dessa frase: “a arte nunca é sobre o público ou o privado é sempre sobre a interioridade de um sujeito”,  ela rebateu sem vergonha nenhuma, perante o mundo todo, dizendo que trocaria o sucesso da arte, pela vida ao lado dele: “Se Grégoire tivesse voltado para mim mesmo após o início do meu projeto, eu não teria levado isso adiante. Mas, como isso não aconteceu, tive a necessidade de me afastar do fato para poder lidar com o sofrimento. É assim que ajo com as coisas ruins de minha vida”.
Como  cantou Chico Buarque "para onde vai o meu amor, quando o amor acaba"? 
Interessante é que no e-mail, ele explica que terminou a relação, seguindo o pedido de Sophie, de nunca traí-la, e deixa claro, que apesar de amá-la como nunca amou ninguém, seria impossível seguir essa "regra" da fidelidade.
Abaixo, transcrevo o e-mail de Grégorie para Sophie, a meu ver, um ato de covardia. Um email!  Que resumindo é: te amo, mas não posse ser fiel, então...cuide-se. Simples assim. Ufa! 
"Há algum tempo, venho querendo responder seu último e-mail. Na verdade, preferia dizer o que tenho a dizer de viva voz. No entanto, vou fazê-lo por escrito. Você já pôde notar que não estou bem ultimamente. É como se não me reconhecesse em minha própria existência. Sinto uma espécie de angústia terrível, contra a qual não consigo fazer grande coisa, exceto seguir adiante para tentar superá-la. Quando nos conhecemos, você impôs uma condição: não ser a 'quarta'. Eu mantive o meu compromisso: há meses deixei de ver as 'outras', não achando logicamente um meio de vê-las sem transformar você em uma delas. Pensei que isso bastasse. Pensei que amar você e que o seu amor — o mais benéfico que jamais tive — seriam suficientes. Pensei que assim aquietaria a angústia que me faz sempre querer buscar novos horizontes e me impede de ser tranquilo ou simplesmente feliz e 'generoso'. Pensei que a escrita seria um remédio, que meu desassossego se dissolveria nela para encontrar você. Mas não. Estou pior ainda; não tenho condições nem sequer de lhe explicar o estado em que mergulhei. Então, nesta semana, comecei a procurar as 'outras'. Sei bem o que isso significa para mim e em que tipo de ciclo estou entrando. Nunca menti para você e não é agora que vou começar. Houve uma outra regra que você impôs no início de nossa história: no dia em que deixássemos de ser amantes, seria inconcebível para você me ver novamente. Você sabe que essa imposição me parece desastrosa, injusta (já que você ainda vê B., R.,…) e compreensível (obviamente…). Com isso, jamais poderia me tornar seu amigo. Você pode, então, avaliar a importância de minha decisão, uma vez que estou disposto a me curvar diante de sua vontade, ainda que deixar de ver você e de falar com você, de apreender o seu olhar sobre os seres e a doçura com que você me trata sejam coisas das quais sentirei uma saudade infinita. Aconteça o que acontecer, saiba que nunca deixarei de amar você do modo que sempre amei desde que nos conhecemos, e esse amor se estenderá em mim e, tenho certeza, jamais morrerá. Mas hoje seria a pior das farsas manter uma situação que, você sabe tão bem quanto eu, se tornou irremediável, mesmo com todo o amor que sentimos um pelo outro. E é justamente esse amor que me obriga a ser honesto com você mais uma vez, como última prova do que houve entre nós e que permanecerá único. Gostaria que as coisas tivessem tomado um rumo diferente. Cuide-se."

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

PEDIDO DE CASAMENTO ORIGINAL

Apesar de tantos casos tristes postados aqui, não culpo ninguém por acreditar no amor. Eu acredito. Não acredito é na busca a qualquer preço por esse amor. Se não nos amarmos antes de tudo, como amar o outro? Isso é impossível. Acredito no romantismo, em flores e velas. Mas antes disso, acredito na mão estendida, no ombro amigo, no olhar voltado para a pessoa amada. Acredito no sexo que faz perder o fôlego, nas gargalhadas no bar com amigos, nas viagens a dois. Mas antes disso, acredito no "estou ao seu lado", "preocupo-me com você", "não vou lhe deixar sozinha".  O amor depende de amantes, mas antes,  de amigos, o amor depende de alegria, mas antes, de seriedade, o amor precisa de barulho, mas antes de serenidade, o amor precisa de vigor, mas sabendo, que vai perdê-lo com a idade. O amor precisa de dois, que sejam  inteiros e independentes, mas que possam ser um, quando necessário. O amor precisa de liberdade, igualdade e fraternidade, assim mesmo, como na bandeira.
Eu particularmente, acho essencial, bom humor. Por isso, posto aqui o  link de um vídeo de um pedido de casamento feito no Madison Square Park, na presença de milhares de pessoas  que chamou minha atenção pela originalidade, recheada de romantismo! Muito fofo! Divirtam-se!
http://www.youtube.com/watch?v=shyrLL8e6ac&feature=player_embedded

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

TRAIÇÃO CRUEL

"Cara Marcela, adoro seu blog, adoro os depoimentos e suas respostas lúcidas. Foi muito importante achá-lo em um momento tão delicado para mim. Gostaria de dividir minha história com outras pessoas, se você me permitir.
Aos 17 anos, casei-me grávida, e super feliz, com o grande amor da minha curta vida, o príncipe encantado da minha juventude, que era 5 anos mais velho do que eu. Conheci a felicidade absoluta por 1 ano, quando meu filho de 10 meses morreu, e voltando do enterro, sofremos um grave acidente de carro, onde perdi também, meu marido. O mundo ruiu ali. Demorei 6 anos para me levantar. Foi quando em uma viagem, casei-me com um americano maravilhoso! Voltei a ser alegre (pq feliz era impossível), tivemos 3 filhos lindos e saudáveis, e quando acreditei na vida, ele foi preso repentinamente como um dos maiores traficantes de droga. Eu nem imaginava! Ele era a doçura em pessoa. Continuei casada com ele e levando meus filhos para visitá-lo no presídio, onde 2 anos depois, ele se matou. Voltei para o Brasil. Sofri pelos meus filhos, senti muito por ele, mas aquele sofrimento de amor, eu não senti novamente. Graças a Deus. 
Recomecei minha vida em SP. Fiz grandes amizades, mas eu não era uma pessoa serena. Era inquieta, agitada, desconfortável. Hoje, sei que fiz meus filhos sofrerem com esse meu jeito. 
Tinha uma prima muito próxima, e nessa proximidade, apaixonei-me pelo marido dela, e a recíproca foi verdadeira. Ele a deixou, eu levei uma surra dela, e não reagi. Entendi a sua dor. E me senti muito mal. Ah! esqueci de dizer que na adolescência, fui modelo de uma agência famosa do RJ, desfilei fora do país, e ganhei mto dinheiro. Eu sabia da minha beleza, e talvez tenha usado esse poder de sedução, depois que perdi meu grande amor, naquele acidente.
Bom, fomos viver juntos, e ele foi excelente para meus filhos, colocou ordem na casa e através de sua candura, me centrei. Comecei a fazer análise e meditação. Aos poucos fui me tornando outra pessoa, e a cada dia fui ficando mais apaixonada por aquele homem que parece ter me resgatado de um poço sem fundo. Depois de 3 anos juntos, eu já o amava com a mesma intensidade que amei meu primeiro marido. E finalmente, encontrei a felicidade. Meus filhos já estavam independentes e fora de casa. Compramos um sítio perto de SP, lá construí meu centro de meditação e terapia ocupacional. Atendia pessoas de vários lugares, tinha um equipe linda que trabalhava comigo. Mesmo assim, em primeiro lugar vinha sempre o meu marido, o meu amor. Ele era dono de uma grande empresa e viajava mensalmente ao exterior, especificamente para a Alemanha, e nunca deixei de ir com ele. Cuidava de sua mala, de sua agenda, e deixava meu sítio com os funcionários. Éramos um só. Amávamos a cultura com a mesma intensidade, amávamos viajar pelo exterior, e amávamos nosso sítio. Ufa! Finalmente,  quase aos 50 anos, eu estava feliz de novo. Um dia ele recebeu uma irrecusavel proposta para se mudar para a Alemanha. Sofri muito. Nunca tive dúvida se deveria ir ou não, porque nunca passou pela minha cabeça ficarmos separados, mas sofri pelo meu sítio, minhas atividades, meus filhos, minha mãe Compramos uma apartamento em SP, para ficar mais prático nossas vindas ao Brasil, e colocamos o sítio a venda. Fui sozinha à Alemanha, encontrar uma casa  e lá fiquei por 2 semanas. Quando retornei ao Brasil, o apartamento estava lindamente decorado. Assustei-me porque ele nunca foi chegado a  decoração,  perguntei, e ele me disse rapidamente que havia contratado uma decoradora. Estranhei, pq ele sabia que eu amava decorar a nossa casa, mas depois acreditei que sua intenção fosse apenas me poupar trabalho. Fiquei para dar as últimas ajeitadas nas nossas coisas e ele foi para Alemanha, para a casa que eu escolhi para comprarmos. Depois de uns 20 dias, eu já estava com tudo pronto para partir. Sítio na imobiliária para ser vendido, apartamento montado, faxineira contratada,, e a difícil despedida dos filhos. No dia do meu embarque, o telefone tocou cedo na cabeceira da minha cama. Era ele. Meu coração disparou, pois apesar do sofrimento da despedida do Brasil, não via a hora de estar em seus braços calmos. Estava morrendo de saudades do meu amor. E o que ouvi foi: "M, não venha. Preciso te contar que me apaixonei por outra mulher e já estou morando com ela aqui. Desculpe-me, mas não tive coragem de lhe contar isso pessoalmente". 
Ficou tudo embaçado, perdi a voz, o chão, a noção de tempo e espaço. Nem ouvia mais o que ele dizia. Quando acordei, minha mãe estava ao meu lado com o médico que a faxineira chamou. Eu tinha desmaiado. Por alguns segundos, tive a doce ilusão de que havia tido um pesadelo. Até que entendi que não. Eu sangrava, novamente. Foram dias de cama, de colo de mãe, de anti-depressivos fortes, de remédios para dormir. Meus filhos ficaram perto de mim, e voltei ao meu sítio. Soube que ele estava morando com a secretária de sua firma, aqui do Brasil, a mesma que decorou meu apartamento. Nunca mais conversei com ele. Passaram-se 8 meses. Ainda estou descascada por dentro, mas já não há sangue. Perdi muito durante a vida, para aceitar perder a lucidez. Hoje continuo no meu amado sítio. Novamente, não estou feliz, nem alegre, mas já alcancei a paz".

Corajosa M., você perdeu vários pedaços de si mesma ao longo da vida, e sempre se recompos. Você vai ser feliz de novo, não sei se como antes, mas até isso, cada um acha seu jeito. Você perdeu um filho e sobreviveu. Perdeu um marido em um acidente, outro para as drogas, e esse outro, porque ele quis te deixar. O único que pôde escolher ficar ou não com você, escolheu não ficar, e nem se deu ao trabalho de te dizer isso, olhando nos olhos. Coragem e covardia não combinam...problema dele. Você é uma heroína, maior do que isso tudo. Deus lhe abençoe. Agradeço a confiança em dividir sua história comigo e com o leitores do blog. Meu carinho e o desejo de coisas muito boas na sua vida.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

AMOR DE PI...QUANDO BATE FICA???


Ai que horror!!! Meus queridos, desculpem a vulgaridade do título, mas quis reproduzir exatamente o e-mail que recebi de uma jovem senhora, aliás, muito espirituosa e inteligente.Ela tem hoje, 49 anos, divorciada por duas vezes, filhos independente, mora sozinha, e tem uma vida confortável. Há 5 anos conheceu um homem 3 anos mais novo do que ela, em um baile do clube. Gostou dele de cara e a recíproca foi verdadeira. Dançaram, conversaram até as 5 hs da manhã, e ela foi embora. Dali em diante conversavam todos os dias, por horas, quando não era pela internet, era pelo telefone. Não se viram mais pessoalmente por uns 2 meses. Ele mora longe, do outro lado da cidade. Até que um dia marcaram de jantar e terminaram a noite na casa dele, e...nunca mais se separaram. Segundo ela narra, conheceu o prazer de verdade com ele. Nunca havia sentido nada parecido, e nem sabia que existia um sexo tão intenso. Naquele momento ela sentiu que largá-lo seria impossível! Dois casamentos, uns 4 namorados, e nunca tinha vivenciado uma noite de amor com fogos de artifícios! Nem tinha se sentido tão inteira, tão realizada, tão desejada em suas relações anteriores. Como ela diz "Olhei no espelho e perguntei a mim mesma - mas isso não acontece só em novela?"  Uma vez viajaram para a serra, entraram no quarto na 6ª feira, e só saíram de lá  na 2ª, pela manhã...ela nem conheceu a cidadezinha que lhe disseram que era linda.
Ele tem 46 anos, é representante comercial, viaja quase a semana inteira. Não moram juntos, mas quando ele chega a cidade, sempre fica na casa dela. São 5 anos de perfeição sexual. Claro que já existiram fases mais mornas, onde ela estava preocupada com alguma coisa, ou absorvida com alguma tarefa do trabalho.  Para ele, nunca existiu nada "morno", mas sempre a respeitou durante esses seus momentos. 
Ambos são independentes financeiramente, mas como ele fica muito na casa dela, faz questão de colaborar com as despesas. 
Ocorre que ele chega em casa na 5ª ou 6ª feira, estica o corpo na frente da TV, abre uma latinha de cerveja e vai procurar todos os jogos possíveis de futebol. Não levanta nem para almoçar. Isso é todo dia que ele está em casa. Não chegam mais nem o nariz na porta de casa. Não vão ao clube, nem a bailes, nem comer uma pizza. Ele se diz cansado e só quer ficar em casa. Quase não conversam mais. Mas a noite..."o bicho pega", como ela diz.
"Mas e aí Marcela, o que eu faço? Nada está como eu gostaria que estivesse (tirando o sexo, claro). Queria passear, viajar, sair, conviver com amigos. Mas ele não quer nada! Eu até saio sozinha, ele não se importa, mas  quero um companheiro, e não um profissional do sexo".
Bom, cara N., difícil opinar. Acho que vc deve pesar muito bem antes de tomar qualquer decisão. Sexo é fundamental, mas não deve reinar soberano em uma relação. Vida a dois envolve muito mais coisas. Entendi que ele mantém o apartamento dele, mas mora com vc, ou seja, vcs dividem a vida, e não só a cama. Dessa forma, vc tem todo direito de querer uma parceria. Converse com ele, pondere, faça uma reflexão calma e sincera do que é importante para que um relacionamento mereça investimento de sua parte. Como sempre digo, prioridades são diferentes para cada pessoa. Vc precisa descobrir as suas. Não há regra para ser feliz dentro de um casamento, cada um acha o seu caminho. Busque o seu, consciente que a perfeição não existe em lugar nenhum.
Agora, respondendo a sua pergunta, acho que amor de pica quando bate fica sim, e fica com propriedade! Mas...não pode dominar vc. É aquela velha frase, a cabeça não vem acima de todo o resto do corpo, à toa. Pense primeiro com ela. Não somos só instinto, e nem podemos ser, é isso que nos diferencia dos animais - somos racionais. Então, usar a razão também é bem vindo.
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