O blogger é atualizado de acordo com as batidas do meu coração. É um prazer tê-los comigo.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Vazios


Vejo em você o mais bonito do que todas as coisas bonitas que já vi. 
Mais bonito que o mar com aquele leva e traz. 
Amor distante, e saudade eterna dos nossos próximos instantes (inexistentes). E, em frente ao mar que não vejo, fico a ver vazios. E embarco... 
Embarco no último barco e atraco no mundo que nos separa. 
Para sempre. 
Seus abraços nunca me tocarão. Nossas bocas também não. Sua voz não me emocionará. 

O que eu endeusava, não se humaniza. O que sangrava, não estanca. O que feriu, não cicatriza: sei q não era o que você queria, nas era o que você podia… 
Amar você já é o de menos. Nada disso existe... dizem que só existe o que vivemos e não o que pretendíamos viver (mas eu discordo).
E o que eu amava se evaporou no que não pôde ser, e o que eu procurava nunca chegou porque você não deixou. 
Sequer ouço seus dentes rangendo de saudade. Saudade do que poderia ter sido.
Ainda sinto a sua falta. Ainda tateio o seu corpo invisível nesse vazio imposto. 
Não porque você é mais bonito do que todas as coisas bonitas, mas porque você cabe tão bem no que eu sinto. 
"A grande verdade é que você é mais bonito do que a verdade".

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Como esponja do mar


Não canso de me surpreender com a abençoada capacidade de regeneração do ser humano.
Li que a esponja do mar, colorida e de formas exóticas que vive no fundo dos oceanos tem uma capacidade de regeneração tão impressionante que, mesmo se for triturada num liquidificador, consegue renascer.
E não é isso que fazem os corações?
Dor de amor pode ter a intensidade de uma patologia grave. A dor é física, ainda que esteja somente na alma. 
Parece infarto.
Quem nunca experimentou? Você deseja que o mundo pare para você descer. 
As cores desaparecem como em uma magia negra. A vida passa a ser levada no automático. 
Enfim, é como uma morte.
Aliás, é mesmo. Morre o futuro planejado.
Depois do luto vêm as conseqüências e tem-se a impressão de que será impossível se envolver em outros relacionamentos.
Até que, gradativamente, como acontece à esponja do mar, tudo em você vai se regenerando. A dor vai diminuindo, diminuindo e ao invés de consumir dias inteiros, passa a consumir somente as noites, e chega o dia em que a dor se dissolve, sendo substituída pela lembrança da dor. 
Essa ficará para sempre.
E aí, um dia qualquer, você se pega acreditando novamente. 
E então, após ser triturada por um processador, você se vê viva.
Outra onda a te "engolir" e você sabe que poderá se afogar novamente. 
Mas já conhece todo o processo, e já sabe que não vai morrer. 
Para recomeçar  é imprescindível enfrentar o medo de descer ao inferno mais uma vez.
Melhor queimar do que não sentir nada.
E então, você se entrega. E se arrisca. Porque viver é isso mesmo. 
E no final, a gente sempre renasce. Como esponja do mar.
(http://www.marcelolopes.jor.br/blog/detalhe/5/marcela-goncalves-de-sousa)

domingo, 29 de dezembro de 2013

Desculpas para 2013

Mais um ano se vai. Mais um ciclo se encerra.
Nada muda quando despertamos nos diversos 01/01. As mesmas contas a pagar, o mesmo saldo bancário, os mesmos problemas, as mesmas coisas boas. Mas o que seria de nós sem essa ilusão de que o ano novo é novo em possibilidades?
O Universo é perfeito. Os ciclos, mais do que possibilitar, facilitam a existência de toda a criação. Um novo dia, uma nova semana, um novo mês, uma nova estação, um novo aniversário, tudo incita a renovação. Impulsiona o desejo de mudanças. Traz coragem. Ainda que saibamos que nada muda se não mudarmos. 
É uma ilusão necessária.
Viver em fatias é mais fácil.
Esse fim de ano não fiz planos, nem promessas. Ainda não olhei para frente porque precisei voltar alguns passos atrás. Não tenho como incorporar esse espírito de "novo tempo", quando ainda paira uma egregora negativa de um tempo tão conturbado.
Tentei sair de mim o máximo possível e lançar sobre tudo que vivi, um olhar "de fora", o que me permitiu pedir desculpas para 2013 e compreender o óbvio: vivi o que tinha que viver, protagonizei as situações que tinha que protagonizar, estive com as pessoas que tinha que estar, minha vida esbarrou em vidas que teria mesmo que esbarrar. 
E, agora, consigo ser grata por isso. Se sei que nada é por acaso, então, porque a raiva? Porque a guerra?  Chegar essa conclusão me libertou. Só me resta agora, pedir perdão.
Torço para que meu pedido de desculpas chegue a todas as pessoas que acho que precisam chegar. Aos mesmos olhos que leram minhas palavras rudes.
Peço desculpa pelos momentos em que a soberba tomou conta de mim. Peço desculpa pelas omissões. Pelas farpas jogadas. Peço desculpas por ter sido conivente. Peço desculpa pelas vezes que esqueci que o coração que bate aqui, bate aí. Que a dor que consome aqui, consome aí. Que a vitória aqui significava a derrota aí. Peço desculpas pelas tantas vezes que me vitimei esquecendo do contrário: que a derrota aqui era nada mais do que a vitória aí, ou em algum outro lugar.
Enfim, peço desculpas por ter fingido acreditar que desse lado aí morava gente do mal, enquanto dentro de mim eu sempre soube que aí, como aqui, era gente do bem. Peço desculpas pela guerra de palavras, pela guerra de nervos, pelas variadas guerras, que como toda guerra, foi em vão.
Outras dores profundas me cortavam sem piedade e, então, me agarrei a essa dor menor para me "distrair", esquecendo-me que a dor que para mim era menor, era maior para outras pessoas, assim como maior era a dor da qual eu tentava me distrair.
Também preciso desculpar a mim mesma, pois sei que perdi, pois de onde poderiam ter sido trabalhado bons sentimentos, nascido verdadeiras amizades e colhido boas energias, tornou-se nada mais do que o cenário mórbido de um antigo campo de guerra - feio, frio, vazio.
Sinto que perdi tanto tempo e fiz com que outros perdessem... Nada me convencia, era tudo tão sombrio, e ainda assim eu fiquei. Como diz uma amiga "não aprecio momentos em tons pastéis, prefiro os de tons vibrantes, verdadeiros..." Mas ainda assim, insisti.
Conto sempre  que bons corações se reconhecem, ainda que essa percepção esteja circunstancialmente embotada. Fica aí a minha esperança.
Enfim, que toda essa embarcação de 2013 me perdoe e ancore em terras de bons sentimentos, com tons vibrantes, onde novos afetos possam chegar.
http://www.marcelolopes.jor.br/blog/detalhe/5/marcela-goncalves-de-sousa
 

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Pimenta nos olhos dos outros é refresco

O livro "A águia e a galinha" de Leonardo Boff é uma metáfora da condição humana. A história de uma águia que foi criada junto às galinhas e com o passar dos anos passa a acreditar que era uma galinha de verdade, até que um dia aparece alguém que a faz enxergar quem ela realmente era.
Eu amo Boff, adoro esse livro e quem não leu, deveria ler, há ali, uma aula de filosofia em todos os sentidos e uma infinidade de lições.
Entre elas está a de que vemos o que queremos ver, ou o que podemos ver, ou o que nos é conveniente ver (porque, continuando com Boff, cada um lê e relê com os olhos que tem). Bom, a partir do momento que acatamos essa singularidade contida no olhar, ou na forma de olhar, ficamos cônscios da relatividade, senão dos fatos, da interpretação desses.
O professor estuprou uma criança de 8 anos. Fato. Ele é um monstro que precisa ser banido da sociedade. Diz a constituição que todo cidadão tem direito a defesa. Ok. Então esse ser (não) humano terá advogados que adotarão uma linha de defesa e, essa, certamente se dará a partir das bases sociais e familiares lotadas de dificuldade onde, certamente, esse sujeito se criou. Isso evitará o trauma da criança que foi abusada? Não. Isso faz com que esse sujeito deixe de ser portador de alta periculosidade? Não. Fatos são fatos, aceitando-os ou não, em nada serão modificados. Mas os pais são culpados pela escolha da escola? Por não terem percebido nas reuniões escolares nada de diferente naquele professor? E as dezenas de outros pais também não perceberam? E a direção da escola também não? Não, porque não tinha nada a ser percebido, porque ele se portava como um professor, provavelmente atencioso e cordato. Os pais e responsáveis podem ser acusados de uma percepção enganosa?
Se tem uma coisa que fui aprendendo ao longo dos anos foi sobre essa relatividade contida em todo o universo. Mas busco todos os dias encarar os fatos, ainda que eu os interprete da única forma que posso - com os olhos que tenho e a partir de onde meus pés pisam.
Então, em resumo é assim: Uma pessoa mente, engana, ludibria, manipula, usa todo seu poder de sedução e convencimento, enfim, um mentiroso de plantão (sem aspas mesmo). E faz tudo isso, com competência e maestria, conseguindo enredar em sua "trama", dezenas de pessoas inteligentes, cultas, sensíveis. Isso é um fato. Como cada um interpreta? Bom, para uns a pessoa é doente, para outros é safada, para outros mau-caráter, para outros um coitado. O que isso modifica no fato do sujeito ter usado pessoas e brincado com vidas alheias? Nada. 
Acreditar que as pessoas são da forma como nos é conveniente acreditar que são, é algo que acontece muito, principalmente quando a pessoa em questão é pós doutorada em manipulação e nos convence que são mesmo do jeito que nos é conveniente acreditar que são. Agora, crer que nada pode passar despercebido, porque para tudo há indicadores e que só não os visualizamos por opção, é desmerecer o competentíssimo senhor em questão, e exigir uma percepção sobre-humana de pessoas normais.
Então, se o professor não estuprou meu filho, mas estuprou o seu, é porque eu fui atenta aos sinais e você não? Ou seja a responsabilidade é sua antes mesmo de ser do estuprador? Isso é uma baita inversão de valores! É muita vontade de ajeitar as coisas, né não? O pessoa engana 10 mulheres ao mesmo tempo e todas apenas "querem ver o que lhe é conveniente"? Todas? Nem uma escapou? Pelo amor de Deus né? Aplausos para o doutorando, porque o mérito de não deixar pistas, ou, apaga-las com sedução e "lábia" é dele... Mas, é aquela máxima certeira e egoísta de que "pimenta nos olhos dos outros é refresco". Mas e quando a pimenta está também nos seus olhos? Ah tá! Foi tanta pimenta que cegou de vez.
Finalizando com meu caro Boff: "abramos as asas e voemos . Voemos como as águias. Jamais nos contentemos com os grãos que nos jogarem aos pés para ciscar."

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Sujeito inexistente

Que de tudo ficam lições é fato, ainda que seja apenas a importante e indiscutível lição de que tudo, realmente, passa. Foi uma fase negríssima! De perseguições contundentes, invasivas e desrespeitosas. Se eu escrevia no blog, me perseguiam com comentários ameaçadores e coisas piores. Eu não entendia para que o ataque se, no balanço geral,  todas perdemos... perdemos sonhos, tempo, e até mesmo dinheiro. Afinal quem não presenteia quando se ama? Uns presenteiam com coisas mais caras, eu, com a revisão de um livro... Fiz com prazer, fiz por acreditar, porque levei a sério aquele projeto alheio, fiz porque o editor era meu amigo, fiz porque ele fez um preço camarada para mim. Na minha mudança de casa me deparei com os 2 depósitos... Quanto desperdício... Enfim fiz e, não valeu de nada, porque sequer aquele projeto era de verdade.
Quando tudo chegou realmente ao fim, vivi meu luto, me desintegrei, e como sempre, levantei. Não foi dor de amor, claro que não, foi dor de ego, tipo aquele dramático: "mentiram pra mim". Mas quem não mente? É... todos mentem... Então, era algo pior. E era. Era uma dor advinda do susto de ter trombado com uma pessoa em quem confiei tanto, a quem me dediquei tanto, a quem me expus tanto e que era um ser inexistente. Assim mesmo, como na gramática tem uma oração com sujeito inexsitente, na minha vida vivi  uma história a dois, sem sujeito. Achei que fosse surtar, não surtei. Achei que fosse chorar meses, não chorei. Achei que eu fosse pegar o carro lotado de munição e fosse até a porta da casa dele, não fui. Achei que eu fosse armar barraco no trabalho dele, não armei. Achei que eu fosse contratar uns capangas para pegá-lo em uma curva qualquer e dar-lhe uma surra, não contratei. E quando me dei conta, passou... Até a minha raiva passou. Passou a ponto de eu lhe indicar um link de algo que seria do seu interesse. Confesso que depois arrependi, porque sei lá eu, o que na face da terra seria, de fato, do seu interesse... 
Ainda sobraram algumas pessoas daquele mesmo harém, umas só pentelham, outras somam. Umas não sei sequer se possuem mesmo aquele rosto ou se são fake, outras tenho telefones e endereço. Umas são uma sombra dessa história toda, que ficam assombrando por aí enquanto o tempo passa...  Com outra dou boas gargalhadas, e já combinamos um encontro no Rio. Na verdade, não tenho boas lembranças desse tipo de encontro... Fizemos todas parte de um mesmo enredo, que tinha como personagem central o mesmo sujeito (inexistente), mas somos indivíduos, viemos de universos diversos, temos conteúdos próprios e bagagens emocionais diferentes. Só que me esqueci disso quando fui, tranquila àquele encontro. Não faz muito tempo, e o cenário foi o mesmo: o shopping da zona norte. Vi que estava curada quando, ao entrar ali pela primeira vez depois de tudo, não senti absolutamente nada. Nem de bom e nem de ruim. O encontro foi desastroso par mim, porque impotente, eu assistia uma mulher se espernear, completamente desequilibrada, com a vida destruída, enquanto em silencio, eu agradecia a Deus pelo fato da minha sorte ter sido outra. Eu saia daquela história terrível, com minha sanidade inalterada. Ela não. Fui solidária a ela, mas não compreendi até hoje aquela dimensão toda. Aquela ali é um poço perigoso de informação, de ódio, de revolta, uma bomba prestes a explodir... Enfim, nem gosto de me lembrar.
Já há muito tempo coloquei na minha cabeça que o que a vida leva é porque não me serve mais. Hoje, feliz, sei que o que eu buscava - gente de verdade - existe, só que procurei no lugar errado. Nunca creio que temos a posse de algo, apenas temos temporariamente, afinal o "querer" é mutável, como tudo na vida. Essa certeza me acalma, ainda que não me permita aceitar falsidades, pois deixar de desejar, é diferente de brincar, premeditadamente, com vidas. Incrível, mas foi tudo tão intenso que só percebi os sentimentos que me invadiram quando deixei de senti-los.
Como dizem:
"Conheço mais sobre o desespero através do alívio. Conheço mais sobre pessoas quando elas estão distraídas de suas máscaras sociais. Por isso, para minha transparência, distraio-me. Exponho-me. Se a vida é trágica para alguns, também conheço esta face dela, apenas não me apropriei do trauma. Se a vida é dádiva para outros, me identifico. Se as coisas não estão fluindo como eu gostaria, tenho a oportunidade de desenvolver meu raciocínio para observar as coisas por outro ângulo.
Quando não há mais para onde correr é quando se aprende a voar."

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terça-feira, 19 de novembro de 2013

Félix, determinismo e livre-arbítrio

 
Acordei hoje com uma sensação ruim deixada pela cena de ontem da novela das 21hs. Matheus Solano em uma impecável atuação quase me fez esquecer que era apenas o personagem de um folhetim (como se nossa vida fosse algo mais que um folhetim...).
Passei décadas da minha vida acreditando que gente assim só mesmo em novela, até que o destino determinou que meu caminho se cruzasse com uma pessoa exatamente assim. O ser humano tem tanta mania de nomear e enquadrar tudo que não consegue explicar, que já decidem que quem é mau caráter, frio, calculista, dissimulado, indiferente ao sofrimento alheio, é sociopata, psicopata e um monte de “ata” por aí. Não dá simplesmente pra dizer que é personificação da maldade? Já que não tem cura mesmo, de que adianta dar nome?
Muitas vezes, em minha vida, questionei porque Deus permitia a existência da maldade em sua criação (e, sem essa da história da Eva e da maçã!). Santo Agostinho se martirizava pensando: “Mas se o mal é criação do homem que é criatura de Deus, então há relação entre Deus e o mal?”
De onde vem o mal? Porque existe gente má?
No caso do Félix ficou retratado em seu desabafo, o quanto o meio familiar desajustado é capaz de danificar o caráter. Será que os pais tem a exata noção do quanto o desamor e a desatenção destinado aos filhos podem fazer destes, futuros monstros, uma máquina de detonar vidas alheias, ainda que não seja jogando bebês na caçamba de lixo, seria jogando vidas de pessoas que não lhes são mais úteis nessa mesma caçamba?
Santo Agostinho tinha pai pagão e mãe cristã fervorosa, criando-se assim, em um meio dualístico. Na adolescência se desvirtua moralmente caindo em profunda sensualidade que, segundo ele, é uma dos maiores consequências “do tal” pecado original. Nesse momento ele adere ao Maniqueísmo que atribuía realidade substancial tanto ao bem quanto ao mal, confirmando assim, o que viveu, achando no dualismo maquineu, a solução para o problema do mal, inclusive do “seu” mal, justificando assim, o seu problema, e certamente a sua culpa. Ao se converter ao cristianismo refuta veementemente o maniqueísmo e passa a defensor ferrenho do libre arbítrio, crendo ser o mal, fruto da liberdade humana mal utilizada. Seria sempre assim, as pessoas tornam-se juízas do lado que lhes é mais conveniente? Não seria isso oportunismo? (até mesmo de Agostinho...).
Felix joga sobre o pai a responsabilidade  pelo monstro que se tornou. Todos os que são lúcidos atribuem a culpa ao meio familiar e social para justificar as monstruosidades que seguem cometendo. “Olha eu te engano, eu minto, eu te faço mal, mas não tenho culpa porque o meio em que nasci e me criei foi responsável pelos impulsos que tenho hoje, sinto muito(sente porra nenhuma!) mas vou te fazer mal." E vamos jogando bebês em caçambas de lixo porque o “papai” não me amou como deveria.
Segundo um estudo recente da neurociência funcionamos na base do acerto e do erro, e da cópia do comportamento das pessoas próximas – principalmente dos nossos familiares. “Por isso a educação das crianças é tão importante. É um momento onde o cérebro absorve uma carga de informações, está sendo moldado, criando parâmetros para saber como se portar, como viver em sociedade.” Sob essa perspectiva Santo Agostinho teria seu livre arbítrio jogado ao lixo.
Ainda estudando muito, eu já quase posso afirmar que a minha crença de que Agostinho estava mesmo errado, e que vivemos em um universo determinista. Mas ainda assim, há de se ter um modo de sermos responsáveis por nossos atos. Caso contrário o caos estaria instalado! Imagina se todos pudessem matar, roubar, mentir, constituir família com dezenas de mulheres, ceder a todos os seus impulsos sexuais animalescos com base no argumento simplista “o meio me impulsionou a agir assim.” E enquanto isso bebês morrem dentro de caçambas, pessoas são roubadas de sua paz, mutiladas em seus sonhos. Ridículo! E covarde!
Como descreveu Cássio, em Júlio Cézar de Shakespeare: “Há momentos em que os homens são donos de seus fados.” Assim como alguns os neurocientistas, creio que o livre arbítrio seja uma ilusão, mas uma "ilusão necessária para a ética" (afinal o que não é ilusão?). Independente de estarmos em um cenário determinista, temos um cérebro, e ele não poderá ser desprezado “porque papai não me amou”, “porque mamãe me abandonou” “porque passei fome”, “porque sofri abusos” e etc. Somos dotados de um cérebro e é ele que pode e deve conduzir nossas ações. Caso contrário, para sempre o mal justificará o mal, o mundo jamais terá chance, e o ser humano estará condenado por toda a eternidade, e, creio que nisso, Santo Agostinho tinha razão – o homem é bom em essência, portanto um dia, estaremos todos ao lado de Deus, inclusive os Félixs, Pedros, Paulos, Antônios, Anas...
 
 


sábado, 19 de outubro de 2013

Apenas uma mera exceção

Andava com uma sensação detestável em relação ao ser humano. Um temor imenso de que todo mundo fosse uma farsa e de uma hora para outra eu fosse me decepcionar e sentir dor. E como não queria pensar sobre,  parece que tudo isso criou mais força, dobrou de tamanho e me dominou por inteira, quase me consumindo. A cada dia me isolava mais. Queria meu mundo, meus livros, meus filhos, meu cachorro, minhas músicas e nada mais. Quase me paralisei, tamanha angustia. Após semanas me sentindo assim, decidi que era hora do balanço.
Trabalho naquilo que escolhi e adoro, tenho filhos maravilhosos, um amor tranquilo. Fora essas coisas "miúdas", cotidianas que, cada qual a seu modo, todos vivenciamos, ainda pulsa dentro de mim uma paz que vem da certeza de que  tudo que experimento aqui é só um pedacinho (ainda que muito significativo), de uma imensidão que aguarda a todos nós. Enfim, independente de todos os imensos reveses, tenho uma vida que faz sentido. Acredito no propósito da minha existência. Porque, então?
Aí, deparei-me (obviamente não por acaso) com uma frase de Miguel de Cervantes: "Ah, memória... Inimiga mortal do meu repouso!" Pronto! Estava aí a razão da minha angústia de tantas semanas. Lembranças. Ou melhor, mais do que lembranças,  memórias ainda que aparentemente mortas, vivas a me dominar. E, apesar de não sangrar mais, não me deixam seguir leve. Uma vivência passada com o poder de me manter prisioneira. Fui cruelmente marcada, como se faz com o gado. (Perfeito exemplo...) Diversos pânicos: de experimentar aquela dor de novo, de sofrer a mesma decepção, de levar outra rasteira, de olhar para outros olhos tão falsos acreditando-os sinceros, de que cada palavra que ouço seja mentira, de que tudo seja uma farsa, de que todos sejam também doentes, desses que parecem normais, mas não são. Desses que dão significado à sua existência a partir da dor que causam aos outros. Fiquei com medo de gente, e nem desconfiava disso. Estava sendo injusta, julgando as pessoas, considerando que a distância de todas elas seria mais segura do que qualquer proximidade, por menor que fosse. Nem uma boa conversa consegui engatar com o professor de literatura durante o jantar da escola. Começo bem, mas em 15 minutos já imagino que ele está ali tentando me impressionar, me manipulando com a finalidade de atingir um objetivo previamente calculado. 
Temi estar surtando. Um namoro bom (pelo simples fato de me fazer muito bem) que quase jogo pela janela porque me embrulha o estômago ao ouvir o que toda mulher adora - frases apaixonadas. Eu passei a recebê-las como um punhal venenoso - a poderosa fala articulada, desprovida de qualquer significado, dita em toda esquina a qualquer uma. Peço-lhe, então, que não as diga a mim, juro que não gosto de ouvi-las, explico que prefiro apenas viver  aquilo que seria dito. E ele não entende, claro. Mas respeita, até que em um momento qualquer, as emoções vêm à tona e ele diz. E nesse momento eu quero ir embora. Eu apago onde todas acendem.
Retornei à terapia. E ouvi o que já sabia. Sofri um trauma. Para falar a verdade não me conformo. Já passei coisa demais na minha vida para aceitar que aquela experiência tenha tido o poder de me causar tamanho mal. Casamentos desfeitos depois de décadas, projetos no ralo, vida recomeçada, e eu, sempre forte e cheia de esperança. Tinha que haver uma explicação para tamanho estrago. Não poderia perder a fé no ser humano. No amor. Na amizade. Na lealdade. Não poderia me perder, perder a minha boa fé por causa de uma breve história. "Breve história, mas com o poder de destruição de uma bomba nuclear pelo fato de ter como protagonista uma pessoa que não é como eu e nem como você." Bastou ouvir isso da minha terapeuta, após 7 sessões para que eu me desse alta. Resignifiquei tudo. Agora creio que possa seguir por outro caminho. Resgatando meu bom senso que sabe que não posso condenar a humanidade por conta de uma exceção... Cruel demais, é fato, com alto teor de periculosidade, também é fato, mas ainda assim, nada mais do que uma mera exceção entre os milhões de seres humanos.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Bendito seja o tempo.

O poder do tempo ainda me causa espanto... Não me acostumo com a mágica que se dá no passar dos dias! Tudo se ajeita, se encaixa, se reconstrói...Se enterra, se apaga, se desfaz... Um eterno fluir...E a gente segue, nunca o mesmo, mas ainda assim, caminhante... perdemos a firmeza, tropeçamos, caímos, levantamos, vamos claudicando, até que novamente nos sentimos seguros. E ele ali... o sol nasce e se põe em uma rotina irritantemente sistemática, tão diferente da inconstância que é viver. Quando me lembro de algumas perdas, decepções, traições que vivenciei, posso (re) sentir os sentimentos... tanta mágoa, tristeza, susto... tantas indagações... tempo congelado em minhas angústias, e eu podia jurar que ficaria assim para sempre. Olhava para a cena da minha vida, olhava para mim e para aquele que me arrancou de mim mesma, e era como se um artista tivesse reunido as mãos, pés, cabeça e outros membros de imagens de diversos modelos, cada parte muitíssimo bem desenhada, mas sem relação com um mesmo corpo, uma vez que elas não se adaptavam umas às outras de forma alguma e o resultado era antes um monstro que um ser humano.
Quando meu ex-marido me deixou sem dar o mínimo sinal de que faria isso, de início, o susto foi maior que a dor. Estávamos até o último minuto de mãos dadas. Dormi de conchinha, fiz amor como sempre foi, escutei "eu te amo" até a véspera, acordei para um dia comum e, depois do beijo de bom dia, escutei um "estou indo embora". Foi uma tragédia. Literalmente. Tragédia que se perpetuaria por meses a fio em um torturante ir e vir... Ele ia sem ir, ficava sem ficar. Sumia para longe e quando voltava parecia que nunca tinha ido. Tudo era igual. O afago, o afeto, o sexo. Eu não via nenhum sinal de certeza... em seus olhos nada além de lágrimas constantes.. Beijos ardentes, abraços sem pressa. Ainda assim, ele ia. Eu contava que um dia ficaria por lá. Mas novamente vinha para cá. Até que o fim chegou definitivamente, não sei partindo de quem. Vida desfeita. Sonhos em cacos. Projetos que viraram pó. Futuro? Dias sem poder pensar no significado dessa palavra. Como dizem por aí, passei dias fazendo o parto da minha dor. Foi dilacerante! Mas passou. E nem me dei conta de como essa mágica aconteceu... O fato é que eu jurei jamais me deixar magoar novamente. Parecia impossível retomar a boa fé nas pessoas e no amor, após tamanha traição. Mas... o tempo se encarrega de levar as sombras, e de repente... estava eu, acreditando novamente. Contei minha história, confessei meus temores, pedi seriedade, implorei por sinceridade. E, após sucessivas promessas de amor, e como toda promessa, orais e não factuais, e após sucessivos olhares apaixonados e cenas explícitas de amor verdadeiro (momentos intensos e nada mais) me despi completamente e fui... Senti-me a única entre as mulheres - a amada! Enfim, "a" escolhida! E me regozijava perante as preteridas, ainda que discretamente. Mas pairava uma dúvida sobre o caráter daquele amor em questão, e ela zunia em meu ouvido como um inseto, incomodando minhas certezas inventadas. Sacudindo à minha frente evidências que quase arrancavam de vez aquela ilusão. Mas ele não deixava. E jurava, e (re) jurava e (re) (re) jurava. E eu, ficava. Um dia, veio o adeus... Sem molduras, sem contornos, sem a mínima explicação que confortasse. Minha alma parecia corrompida. A maldade alheia tem esse poder. Corrompe. Novamente foi como se o solo debaixo dos meus pés tivesse sido retirado, sem que nenhum fundamento firme, sobre o qual eu pudesse construir, estivesse à vista. Onde me agarrar? Outra vez o susto foi maior que a dor, até o momento que o espanto deu lugar ao sofrimento. E foi intenso. Dessa vez não tinham projetos desfeitos, porque mal tinham projetos, a não ser uma cadeira de leitura na varanda do 4º andar, e nada mais. Mas tinha a minha boa fé... Eu me traíra, eu me colocara em risco, eu estava ali, de novo, em menos de dois anos, em um sofrimento dilacerante, simplesmente porque cedi ao acreditar que o outro era... era o que? Sei lá... acreditei que era... Que era o que me dizia ser. Naquele momento e nos outros que se sucederam eu me via mais uma vez em terrível confusão. De qualquer modo, para mim foi muito difícil. Gostaria de ter-me tornado um palhaço de circo, um andarilho, um capitalista selvagem, ou algo do gênero e nunca ter pensado sobre amor e muito menos vivido ou acreditado nele. Mal podia conter a raiva que sentia de mim mesma... outra vez eu tinha a paz roubada. Eu tentava me reerguer enquanto os fantasmas, resquícios dessa história, me assombravam sem parar. Maldisse a tecnologia. Queria anonimato absoluto. Não conseguia. Comecei a jurar àquelas que me assombravam, que fora tudo uma brincadeira - que nunca houvera amor. Que me enganara. E disseminei essa ideia onde pude. E foi assim que consegui que me deixassem em paz. Pude me recompor. Menti imensamente. Só eu "e outros eus de mim" sabíamos o tamanho e a veracidade daquele amor. Foi um grande amor. Um amor que também passou. Ou melhor, que precisou passar.
Foi tudo tão doído que desejo do fundo do meu coração, hoje, que aquele que me machucou não seja jamais machucado na mesma proporção, simplesmente porque eu tenho a graça do tempo ao meu lado, e pode ser que ele não o tenha. "Mas o tempo não é generoso com todos?" Não... não é. O tempo, como tudo, só trás benefícios para quem tem olhos para ver. Eu tenho. Graças à Deus.
Assim, com o parco poder de minhas vibrações, desejo àqueles que me machucaram, dias claros, encontros verdadeiras, pessoas boas, e uma consciência bem tranquila que lhe dê a paz que me tiraram, mas que o tempo, com sua graça me devolveu, e eu, com a minha graça pude aguardar sã e salva. Bendito seja o tempo...

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

"Sou caçador de ilusão", mas... valeu à pena?

E aí a vida vem e rega de perfume aquelas lembranças fédidas (nem que seja por breves segundos).
Ontem uma amiga foi ao encontro de uma pessoa com quem se relacionava já há 3 meses na internet. Conheceram-se em um site de relacionamento. O resto desse tipo de filme, muita gente já assistiu. Inclusive eu. Em pouco tempo estava apaixonadíssima, enquanto eu, desesperada, pedia aos céus que ela não se estrepasse como muita gente já se estrepou. Inclusive eu. Mas ela nunca me deu ouvidos, como todos fazem - ignoram conselhos enquanto o coração fantasia. Eu também fiz assim.
A semana é inteirinha consumida pelo encontro que se dará. É limpeza de pele, depilação, cabelo, unha, roupa nova (como se ele já conhecesse alguma daquelas que já estão no seu armário), lingerie lindíssima, e noites insones. E o dia nunca chega. E não se fala sobre outro assunto. E haja ouvido dos amigos. Todos que viveram isso agiram assim. E eu também, claro. Os amigos enlouquecem: "e se ele sumir com vc?", "e se for um bandido?", "e se te der um boa noite cinderela?". Ninguém entende que aquele estranho, tornou-se nos últimos meses sua companhia mais íntima, seu grande confidente, maior amigo, grande amor, cúmplice daquela, até então, ilusão...
Até que um dia, chega o dia e você embarca, literalmente, na fantasia. E ainda na rodoviária minha amiga me ligou:"e se ele não aparecer?" "Não surta... claro que vai aparecer... afinal fantasia é dos dois (pelo menos nessa primeira vez), garanto que ele está tão ansioso quanto você". E liga novamente, quando chega ao shopping marcado para o encontro: "Amiga... ele não está no local combinado" "Olha com calma em volta, liga pro celular dele" "Mas não quero dar muito na pinta que estou desesperada". Viaja 180Km e não quer dar na pinta? Piada... E naquela angústia compartilhada por torpedos e dezenas de ligações, pude, na hora do último torpedo "acabei de avistá-lo, vou morrer", lembrar disso tudo que também vivi, e...  com carinho. Inacreditável! Outro dia eu tinha ódio, hoje consigo lembrar daquele momento (nem que seja somente daquele) com carinho.Coisa boa que é o tempo... leva as coisas ruins com a rapidez de um tornado. E me vi ali, ainda deitada (afinal minha amiga não me deixou dormir) sorrindo, ao lembrar da minha aflição no dia daquele primeiro encontro... As inúmeras ligações durante a viagem, onde ouvi mil vezes, "estarei lá na hora marcada", "não vejo a hora de te tocar", "a hora hoje não quer passar", e eu me convencia "ah bom! ele vai mesmo"! E meu coração parecia que ia explodir! E aquele exato momento onde você avista a pessoa? Afe! É um pequeno delírio, uma pequena morte, uma "tormenta que tem pressa"... Só mesmo Machado de Assis para descrevê-lo: "Só os relógios do céu terão marcado esse tempo infinito e breve". É um congelamento de alma. É indescritível! Enfim, é muito bom. Para muitos é o início de uma bela história, para outros o início de uma tortura. Já experimentei os dois. Certa vez foi o início de uma história, e na outra de uma tortura. Torço que para minha amiga seja o início de uma verdadeira história.
Acho que finalmente entendi, quando ele me disse, um dia ao telefone, alguma coisa sobre se reconhecer em um trecho da música do Skank "valeu à pena, sou caçador de ilusão"... Como julgá-lo? Essa ilusão é gostosa demais! A única coisa que ninguém tem o direito de fazer é ver que sua ilusão está chegando ao fim, e, então, pular da embarcação abandonando o outro lá, à deriva. Covardia é imperdoável. É preciso hombridade até mesmo para ser um caçador de ilusão.
Enfim, hoje já com todas as emoções nos seus devidos lugares, posso afirmar que até o momento daquele primeiro encontro, tudo valeu à pena. O erro foi ter continuado.
No fundo, no fundo, somos todos caçadores de "algumas" ilusões, o que acho bom e saudável, desde que não maltrate os envolvidos, e, olhando por esse ângulo, realmente o preço que paguei foi altíssimo! E aí, constato, mais uma vez, que não valeu à pena. Mas, ainda assim, aquele primeiro encontro ficará guardado em um bom lugar para sempre, isso é um fato. Um fato bom, e o resto já esqueci.
E, boa sorte para minha amiga...

terça-feira, 24 de setembro de 2013

A primavera ainda não chegou para mim

Ando em plena colheita de decepções. Não sei se estou no compasso errado ou se, me foi dado como carma, me deparar com gente "mais ou menos". Ou melhor, gente "mais ou menos" é o que mais tem por aí, o pior é você se enganar, apostando: Esse vale
Há pouco me recuperei de um grave acidente em decorrência de um sujeito tão menos, mas tão menos que.... de tão menos, pluft! desapareceu no ar. Quando já inteira,  virei a esquina, no primeiro dia de primavera, me acidentei novamente. Apesar de tudo ter sido terminantemente diferente do outro, o final foi o mesmo  - fui pega pelas costas, sem chance de defesa, como só os covardes fazem. Esse em especial, doeu profundamente. Era um amigo querido, ríamos juntos, ele era engraçado, excelente companhia. Me deu a filha para batizar. Segurei as pontas do fim do seu casamento, o vi casando novamente. Um amigo. Odeio ser traída por amigos, ou melhor, por aqueles a quem me dedico como amiga. Depois de mais de 15 anos, constato que não o conhecia. Ou melhor, como conhecer pessoas que são amorfas, e se moldam de acordo com quem está ao lado? Não dá... Inconstância me irrita. Gosto de gente que sabe a que veio. Portanto, mais um foda-se. Minha capacidade de enterrar pessoas vivas é impressionante. Pode errar comigo mil vezes que permaneço ao lado, firme e forte. Mas se vier com covardia, é morte instantânea. Menos um. E é assim que vou limpando meus caminhos. Na verdade, são esses os nossos grandes mestres.
Acho graça que parece que a energia vibra toda na mesma frequência, e ontem, novamente no início da primavera, recebi um e-mail, que em detrimento dos outros recebidos, foi no mínimo, curioso (para não agredir ninguém vamos nomeá-los assim: curioso).
Há um tempo me vi envolvida com pessoas estranhas e ao mesmo tempo, próximas (por um motivo já totalmente irrelevante). O fato é que essas pessoas me deram uma importância que nunca tive (graças a Deus) e acharam por bem, me perseguir incansavelmente. É a tal da munição voltada para o alvo errado. Algumas vezes tive contato com algumas delas, mais especificamente com cinco, que me chegaram de diversas formas, ao longo de 1 ano inteiro. Bom, ocorre que mesmo já tendo descido na estação e trocado de trem, elas interpretaram que eu só trocara de "vagão", e, acreditando-me na mesma embarcação, continuaram a me perturbar. Até o dia em que recebi um e-mail completamente fora de propósito com fotos e afins, e acabou por envolver uma terceira pessoa da minha convivência e eu, já sem saber a quem recorrer, decidi escrever um e-mail  com cópia (oculta, claro) a todas elas, com um pedido de socorro, literalmente. Se eu tivesse intenção de jogar álcool no fogo bastaria encaminhar o tal e-mail que recebi, mas não. Fui absurdamente sincera - eu só queria paz. E joguei com a sorte - qualquer delas que fosse a autora da perseguição, talvez se sensibilizasse e me deixasse em paz, e eu, jamais saberia qual delas havia sido. Quase uma semana depois, acho que posso dizer que deu certo. Mas nesse processo, "filosofei" um bocado acerca das respostas que recebi. E, com todo respeito, cheguei até a me divertir.  Tirando uma delas, que me pareceu descolada, resolvida, com absoluta inteligência emocional, discurso diferente, e uma resposta que adorei, as outras foram uníssonas: eu sou a bruxa, e elas,  vítimas. "Afinal, é preciso compreender que todos erram, que amor de verdade não pede condições, e que uma vida difícil trás problemas que só as pessoas de coração bom podem entender e relevar (hum! essa foi pesada, né não?), que as pessoas mudam, que agora, finalmente "sou só eu"". Foi muita gente dando "bom dia à cavalo"... A certeza da exclusividade é, no mínimo, curioso, aliás, certeza é sempre algo curioso, e perigoso. Mas entendo, pois também já tive essa certeza. Aliás, entendo tudo, só almejo mesmo o total esquecimento da minha pessoa. Nada mais.
Mas o que mais me chamou a atenção foi a altivez comum a todas, ou seja, me agredir era a palavra da vez. Para quê, se estou de fato e de direito tão longe de tudo? A falta de consciência que vem do sentimento de posse costuma cegar. Virei a pior pessoa do mundo, e seguido da afirmação:"só sei disso porque ouvi daquele que te conheceu". Se tem uma coisa que aprendi é que aquele que denigre a imagem de um, invariavelmente, denigrirá a dos outros. Será que isso não é óbvio?
Mas "cada um vê com os olhos que têm". Fui acusada até de "destruir um sonho". Ok, peço perdão... não foi minha intenção. Eu verdadeiramente só queria ser deixada em paz. O infrator é o príncipe encantado, o relator (no caso eu), a bruxa má. Distorção pesada da realidade! Cuidem-se galera!
Somente uma delas que, a meu ver, sobreviveu sã, pôde entender que meu objetivo era somente pedir socorro. As outras, entenderam que meu objetivo era incomodar. Incomodar o que, minha gente? Eu só queria sossego... O poder de manipulação de alguns me enoja, mas confesso que me deixa "babando" pela competência de "enfiar" pessoas razoavelmente inteligentes, no bolso... (um bolso onde também já estive). E nem adianta avisos! Pois foi o que mais tive durante o tempo todo e, sempre ignorei.
Tolstoi tentou alertar, ao escrever: "Quando as pessoas falam de forma muito elaborada e sofisticada, ou querem contar uma mentira, ou querem admirar a si mesmas. Ninguém deve acreditar em tais pessoas. A fala boa é sempre clara, inteligente e compreendida por todos."
Enfim, ainda não colhi flores nessa primavera - colhi a decepção de uma amizade e o julgamento totalmente equivocado, por parte de pessoas equivocadas. Mas enfim, a primavera só começou e vou colher ainda muitas flores e sentir muitos perfumes. Do resto, a vida se encarrega.
 

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Muitas "Pilares" por aí...

Novamente assisto a televisão prestando um desserviço à sociedade e principalmente ao universo feminino. O triângulo (nada) amoroso marido, esposa e amante mostrado diariamente, não me choca em nada, afinal  é a representação dos milhares que existem - a mulher dedicada (independente se é pobre ou rica) o marido grato e culpado, e a amante (geralmente várias) o brinquedinho que distrai o garanhão. Nada de novo... Desde a invenção da roda, há para todo homem safado, uma mulher subserviente e uma amante compreensiva. O pior é a postura da personagem (na novela) da esposa... Que é aquilo??? É chocante! Dia a dia, por anos a fio, recebendo parcas migalhas do homem que deveria ser seu companheiro, cúmplice, amigo. Suportando sua indiferença, seu mau humor, suas desculpas esfarrapadas. Perdoando uma, duas, três traições declaradas e confessas ao longo do casamento. Uma mulher bonita, culta, inteligente (ainda que não fosse) que reclamou em quase todos os capítulos que aquele que deveria ser "seu homem" não "a procurava" por dias, semanas, meses. É preciso brincar de faz de conta para acreditar que um homem que já provou por a+b que é um tarado, não procura a esposa porque tá cansado... Me poupe! Nem em novela isso cola! Será que não há limite para auto ilusão?
Aí, ela dá um flagrante do marido no flat da secretária (que está de camisolinha preta), bate bastante nela ( o que para mim é uma ignorância, porque quem merecia a surra era ele) e vai embora desolada. Em uma cena contundente, ela transmite com maestria, pela TV, a dor da traição, da mentira, da falsidade, que sempre invade, na vida real, aquelas pessoas de boa fé que têm o triste destino de se relacionar com essas aberrações. De onde veio aquela dor? Creio que da frustração. Eu, pelo menos detesto me enganar a respeito da leitura que faço das pessoas que estiveram perto de mim. É desastroso quando você cai na real e entende que a essência daquela pessoa, que em detrimento de suas posturas e atitudes, você reconheceu e defendeu como sendo nobre, não passava de perfume barato e ruim. Acontece "nas melhores famílias".
Pilar (a personagem) está dando um show de interpretação e também de demonstração do que seria uma verdadeira falta de estima. Como pode se humilhar por alguém que não faz por merecer seu amor? Eu já disse aqui que cresci em um meio assim, presenciei esse banho de humilhação dentro da minha casa. E, para falar a verdade, continuo presenciando, agora, fora da minha casa... Ontem eu li de uma pessoa : "só sou tolerante pois o amor tudo suporta". E pergunto: tudo mesmo? Inaceitável... E mais, "o que é moral ou imoral quando se trata de amor ?". Bom, por ser amor já deveria conter uma bela moral, fora isso é só sacanagem. Mas isso também é a minha opinião.
Nem todo homem que tem uma amante é picareta, assim como nem toda esposa é boba e subserviente, e nem toda amante de homem casado é vagabunda. As pessoas não valem pelo que representam em determinado momento da vida, elas valem pelo que são de fato. E muitos homens, esposas e amantes independente de suas "funções" ou da posição que ocupam, são em essência, umas belas porcarias. 
Engraçado é que aquele que falha parece sempre ter a competência para encontrar fiéis advogado de defesa... Eu sei, porque já me prestei a esse papel...Errei ao defender o indefensável... Todos os avisos em luzes de neon e escolhi acreditar no "eu mudei, não dê ouvidos, são todas loucas, só você me interessa". Todas escutam a mesma coisa, todas acreditam, todas caem, todas levantam, algumas seguem em frente, outras, como a Pilar, ficam "chocando" esse amor doentio.
A personagem tem suporte material e intelectual, mas falta-lhe equilíbrio emocional. Fico pensando... o que leva uma pessoa a se maltratar tanto? A acreditar em mentiras, a fingir que dessa vez será diferente, a se iludir com aquele "ele mudou", a ousar defender posturas que são indefensáveis por si próprias... Não somos juízes um dos outros, todos temos telhados de vidro, mas há falhas e falhas... Algumas jamais deveriam ser acobertadas, ainda mais quando é sabido que delas nascerão muitas dores alheias.
Mas é aquele lance "enquanto tiver bom para mim, dane-se o mal que causa nos outros" e enquanto isso a picaretagem nada de braçada...Até que um dia a roda gira (porque sempre gira) e prova-se do próprio veneno. Eu nunca me conformo com a omissão...
E talvez seja isso que tenha me remetido, agora, a um fragmento do texto  No caminho com Maiakóvski escrito dentro de um contexto nobre, totalmente diferente desse aqui tão... tão reles:
"Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem;
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
"
 

domingo, 15 de setembro de 2013

A descrição de uma dor comum

A primeira vez que li esse texto, foi há uns 2 anos atrás, e, como disse na época, nunca tinha visto uma dor  descrita com tanta objetividade. Me senti amparada. Por breves segundos tive a sensação de que a autora havia escrito para mim, aí entendi o que sempre soube - não havia sido a primeira e nem seria a última. Todos navegamos nesse barco de papel chamado amor e ao virar a esquina de uma história haverá sempre o risco de qualquer coração bater no poste e se acidentar gravemente. Mas há cura e chama-se tempo. E posso garantir que ele é muito poderoso! Naquela época eu virava uma página de muito sofrimento, perda e decepção para iniciar uma outra, cheia de expectativas e promessa de felicidade. Mas... o coração acidentou-se ainda mais gravemente que da outra vez, e, mais uma vez, surpreendentemente, me vi superando o desconforto, a traição, a decepção. Hoje estou feliz, em paz e desejando que todos estejam como eu. Olho para trás e nem acredito que atravessei mais esse umbral! Parece que faz tanto tempo... E agora, mais uma vez, encaro uma nova fase, com menos expectativas, claro. E mais uma vez, faço isso  deixando esse texto que retrata a dor experimentada pela Socorro, por mim, e por tantos "vocês", para que todos tenhamos a certeza de que sempre passa... Ah! passa... 
 
"Quando ele cruzou o limiar da porta, e o vi pelas costas, levando consigo os meus sonhos de um amor ideal, minhas esperanças de uma vida perfeita, minhas ilusões, desmoroneiO chão abriu-se sob os meus pés, e me senti tragada. 
Estava tudo acabado. 
A desilusão fechou-me as portas da alegria, e da vontade de viver, e abriu-se uma torrente de lágrimas. Eu mal conseguia acreditar que pudesse ser verdade, tudo o que estava me acontecendo. Por vezes fechava os olhos, na esperança de ao acordar, constatar que tudo não passava de um terrível pesadelo...
Mas, não era. 
A vida perdera as cores, tudo me parecia cinzento, sem sentido. Desaparecera o brilho dos meus olhos, e eu já não ouvia a música suave que cantava o meu coração.
Desmoronei.
Que dor lancinante! Nunca imaginei que o desespero causasse uma dor tão doída e tão profunda... De angústia e tristeza foram pincelados os meus dias. E o meu coração inconsolável, gemia, inconformado pela perda, e pela saudade incontida. Tudo em que acreditei, tudo o que investi, tudo que mais amei, se dissipava da minha vida como fumaça ao vento. 
Caí, me prostrei. 
Expus as feridas da minha alma. Deixei me conduzir pela solidão. Debati-me à procura de veredas, de caminhos amenos, porém, nada aplacava a minha dor. Por momentos tornei-me fria, insensível, para logo depois, tatear a procura de esperanças, e de paz interior. Sofri horrores, por dias que pareceram sem fim. E me permiti ficar assim, até me esvaziar por completo de toda dor, e perceber que a vida é mais que o desengano. Mas aprendi, às duras penas, e o desengano me fez compreender, que a vida é tecida na imprevisibilidade, por pessoas falíveis, com qualidades e defeitos, e que, portanto, estão sujeita aos desencontros,
e desencantos."  by Socorro Melo(http://msocorrom.blogspot.com.br/

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Os olhos mentem

 
Sempre defendi que o ser humano não deve ser rotulado, empacotado, lacrado e adesivado  com etiquetas indicativas: "louco", "infiel", "impaciente", etc.
Todos têm a chance de evoluir, afinal, estamos aqui para isso. Diagnosticar alguém como se seus defeitos fossem uma doença incurável é um ato desumano. E creio mesmo que todos possam modificar posturas, hábitos, atitudes. Mas há uma diferença imensa entre a possibilidade de mudar e o desejo de realizar essa mudança. Sair da zona de conforto exige imenso esforço, e ainda que essa zona não seja tão confortável, ou traga consequências desastrosas, ela faz parte de uma habitual forma de estar no mundo, de se relacionar com as pessoas e consigo mesmo. E uma coisa é fato: modificar hábitos pede esforço contínuo e incansável dedicação... Essas atitudes de repetição são como pragas de dificílimo combate. Mas difícil não é impossível.
Ontem minha irmã foi me contar porque decidiu não aceitar uma proposta de emprego e justificou "seria burrice me arriscar perante o óbvio... Ele é um péssimo patrão para todas, porque seria diferente para mim?" E aí vem aquela velha história da evidência... Burrice minimizá-las. Se aconteceu com tantas porque comigo seria diferente? Ah, porque eu fui sincera e disse isso a ele que me garantiu que comigo será absurdamente diferente, porque eu sou diferente, ou porque ele está se sentindo diferente, ou porque ele está mais velho, ou porque agora ele criou coragem, ou porque agora o filho casou, a mãe morreu, ele aposentou, enfim... Mas ele disse isso para quantas pessoas? De início, creio que todos mereçam o benefício da dúvida, seja em que situação for. Ocorre que um dia as confirmações chegam e você entende que essas "falas" são ditas em série, para todos os envolvidos.
Falar é tão simples e fácil não é? E acreditar também. Quando o prognóstico não é favorável vale à pena arriscar? Fiquei pensando nisso e cheguei a uma conclusão (por hora): vale o risco, unicamente se ao invés das habituais promessas de mudanças, você for confrontada com reais mudanças. É a única forma. Porque se de todo lado chegam confirmações de que o discurso é enlatado, idêntico, qual seria o critério usado para se concluir que "dessa vez será diferente"? Única forma: ao invés do discurso, atitudes. Difícil? Para quem quer ficar só na base do discurso, sim... Muito difícil...  
Minha crença agora depende das provas. "Se teu passado te condena" vai condenar, integralmente, até que me seja provado o contrário. Simples assim. Faço questão de nunca mais ouvir um "eu te amo", mas de saber que aquela mão estará literalmente ao alcance da minha quando eu precisar. Eu opto por não mais ouvir ou ler absolutamente nada. Nada mesmo! Nem aquilo que for lindo, doce, romântico. Nada! Palavras são apenas palavras. Deixam um gosto bom, mas não nutrem. Promessas, então! Para bem longe de mim! Vou fazer... Vou acontecer... Só mais um pouco... Eu juro. Comigo não mais. Assim que fizer me avise. Quero ouvir depois de já ter visto. Palavras, as mais lindas, só me interessam depois das atitudes.
Como disse minha irmã, se ele age de forma padronizada (com pequenas variáveis), pare e pense: "porque fará diferente comigo?" O fato é que, enquanto tudo estiver no nível das promessas, não  passarão de remotas possibilidades... Mas se há predisposição em acreditar, aí já é outra coisa. É muito comum se deixar enganar para que o sonho não morra. Para que aquela obviedade toda não liquide com a fantasia. Para uns a ilusão é imprescindível. Para mim não é. Não mais. Disse-me minha irmã que isso é muito racional, para mim isso é apenas não querer passar novamente pelo mesmo caminho. Agora terá que ser assim.
Uma conclusão difícil de ser aceita por  mim foi a de que os olhos mentem, o corpo mente, o toque mente, e que a única verdade possível está mesmo contida nas atitudes.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

A dependência mora na alma


Segundo o médico húngaro-canadense Gabor Maté: “Drogas não causam dependência”. Como assim não causam? E aquele bando de gente esfarrapada no centro da cidade? Ele explica: “a dependência não reside na droga – ela reside na alma. Sendo assim, a cura para a dependência, portanto, não seria a destruição da droga mas sim o preenchimento do vazio na alma."
E levo essa fala para todo vício, pois seja ele qual for,  visa preencher esse vazio da alma, eu creio. E de onde vem esse vazio? De uma infância difícil, de uma casa vazia, de uma mãe depressiva, de um pai castrador, de uma grave doença, da falta de afeto, da agressividade vivenciada, da impotência perante as duras adversidades impostas quando seu universo  ainda deveria ser lúdico, e é simplesmente seco e cinza.
Lembro-me o quanto me chocou quando o marido da atriz Sandra Bullock, a traiu com uma reles atriz pornô e foi admitido em uma clínica para fazer um tratamento, e declarou "este tempo é fundamental para ajudar a mim mesmo, ajudar a minha família e ajudar a salvar o meu casamento". Toda a imprensa, na época, revelou que o tratamento era para o vício de portar-se como um "donjuan", conquistando mulheres aos borbotões. Na época assisti uma entrevista onde ele, claramente desesperado, pedia desculpas publicamente à família pelos problemas causados. Mas, a belíssima Sandra Bullock abandonou a casa da família semanas depois, com o filho à tiracolo, assim que a imprensa revelou que o marido não estava tendo apenas um caso extraconjugal, mas vários, pois além da tal atriz pornô, ele saia com outras quatro mulheres concomitantemente. 
Enfim, mais um ser humano que, diante do insuportável vazio de sua própria alma, entregou-se ao vício como forma de preencher essa lacuna e aliviar sua dor (enquanto seguiu causando dor em outras pessoas).
Os viciados em drogas, sexo, conquistas, jogos, e etc, não escolheram esse caminho. Certamente aquele que experimentou droga pela primeira vez não imaginava tornar-se um dependente. Mas tornou-se. Mas aceitar isso como se fosse uma sentença é uma imensa covardia. É  preciso a consciência de que a falta de escolha também é uma escolha. Sartre dizia de várias maneiras, que a liberdade era a nossa verdadeira prisão. E é. Se acreditamos que não temos escolha, e continuamos agindo dentro desse ou daquele paradigma, é indiscutível que optamos por isso. Se juramos que jamais voltaremos a ceder ao impulso de nos drogar e nos drogamos, fizemos essa escolha? Não, óbvio que não... O impulso é uma falta de escolha. Mas dentro da falta de escolha temos uma escolha - pedir ajuda, como fez o marido da Sandra Bullock. Ainda assim ele perdeu sua família, mas fez a escolha certa ao aceitar que sozinho não seria capaz de controlar sua compulsão.
De alguma forma, todos somos vítimas de adversidades, uns mais, outros menos. Justificar nossos possíveis desvios como sendo decorrentes dessas situações é aceitável. Mas cruzar os braços perante esse fato é pura covardia, além de uma tremenda irresponsabilidade com sua própria evolução. Ou, essa postura pode ser simplesmente uma indiferença perante tudo e todos, e aí já se trata de uma grave patologia.
Enfim, cada vez mais creio que "O importante não é o que fazemos de nós, mas o que nós fazemos daquilo que fazem de nós."

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Uma seita regada a mentiras

Muitas vezes considero meus posts como um ato de egoísmo - posto o que sinto, o que percebo, o que defendo, o que questiono. Eu, eu, eu. Mas escrever para mim, é um ato reflexo, muito antes de um ato reflexivo. É quase um vômito. Assim, nunca  intenciono nada. Muito menos que esse espaço sagrado funcionasse, nem mesmo ocasionalmente, como um mural de recado, pois isso seria de uma pobreza imperdoável. Respeito demais as palavras para fazer mesquinharias com elas. Mas,  fato é que, se exponho aqui minha alma, foi inevitável que isso acontecesse algumas vezes no último ano, desde que me tornei, sem prévio conhecimento, uma sectária... E só me dei conta disso agora que não faço mais parte da seita. É preciso distância para que possamos enxergar as coisas como realmente são.  Sabemos que seita é um grupo organizado de pessoas que defendem as mesmas ideias ou tenham causas em comum. Nesse caso defender a mesma ideia, seria defender a mesma pessoa de evidências inegáveis e incontestáveis e,  causas comuns seria o esforço hercúleo utilizado por todas (individualmente, claro) para "crer no que escuta" e fingir que "não vê o que acontece", ou "ver o que acontece" e fingir que "tudo vai mudar", ou apenas relevar tudo e dar a milésima chance ao ouvir  um "você é diferente de todas", "só por você mudo tudo", "só amo você", ainda que tudo seja sempre apenas palavras... e mais, ditas pela milésima vez, convenientemente, após o milésimo sumiço... Ninguém entende verdadeiramente que faz parte de uma seita até que esteja fora dela. Enquanto participam, todos creem que estão no caminho correto, à espera de um futuro feliz ao lado da melhor pessoa do mundo, a mais honesta, a mais digna, a mais confiável, a mais carinhosa, a mais fiel, inteligente e doce. Um dia, quando for o "seu" dia, você se cansará, a seita deixará de fazer sentido, você enxergará o óbvio e tudo ficará tão claro "como a luz do sol", ou seja, você entenderá de vez que fazia parte de um cenário comum onde discursos, gestos, momentos e promessas eram divididos concomitantemente com, no mínimo, uma dúzia de sócias.
Bom estou aqui, conscientemente, fazendo desse espaço o tal mural de recado que abomino, para dizer que cada um tem o seu tempo, e que nem sempre "para um bom entendedor meia palavra basta", pois muitas vezes  "nem todas as verdades, são para todos os ouvidos". Enfim, para quem não é mais um sectário fica fácil entender isso, mas vamos respeitar aqueles que ainda são seguidores - tanto os novatos quanto os antigos. Esse é o ponto. Deixemos que cada um passe por esse seu "pedaço de ilusão". Tudo merece respeito. Até isso.  Há mentiras que são entendidas como verdades e assim será até que chegue o dia. Porque sempre chega. Não precisa de interferências. Nem de "auxílios". Entende? É em vão. Sempre foi. Desde o momento que cheguei tive incessantes avisos de que tudo era uma grande mentira. Não ouvi. Até porque o anonimato dificilmente tem crédito. Ainda assim eu levantava a questão, e ouvia alguma coisa tipo "o diabo planta discórdia quando encontra terreno na desconfiança", e eu me convencia ou fingia. Errei. Acreditei no diabo errado. Faz parte.  Quando o coração fala mais alto qualquer coisa convence, e nesse caso (serei justa) não é qualquer coisa: são frases bem estruturadas, lista de explicações elaboradas, lindas declarações com direito a choro, mimos, presentinhos e promessas de casamento... Afinal, você é diferente, única, e, em meio a tantos enganos, se destacou como sendo a pessoa "que eu procurava"... "Essas que tentam perturbar a nossa paz, nossa felicidade e nosso amor são desequilibradas, não aceitaram o fim, são egoístas e etc." Difícil não acreditar.
Dia desses,  o que se apresentava como anônimo para mim, passou a ter rosto e nome, e, finalmente entendi tudo, ou melhor, apenas aceitei tudo que já tinha entendido... É um alívio indescritível! Uma graça divina! Mas, volto a repetir, cada um tem seu tempo. Aproveito e aviso que o meu tempo chegou há uns 2 ou 3 meses, portanto, tornou-se desnecessário gastar tempo comigo. Aliás, como disse, na minha opinião é total perda de tempo dar "avisos" a qualquer um... Listas de nomes, fotos,  links e afins perdem a força perante "eus te amos" tão contundentes... Respeitar a ilusão alheia é o mais sábio para todos.
Dá vontade de proteger outras pessoas para que não sofram? Sim, claro que dá. Afinal quem é do bem quer o bem do outro. Mas a verdade é que nada nos pertence, às vezes, nem mesmo fazer aquilo que consideramos ser o bem. Sim, consideramos, pq enquanto para uns isso é inconcebível, para outros, qualquer coisa será aceitável, desde que possa permanecer na seita. Digo isso, porque uma delas me disse isso. E eu respeito totalmente. Acho até muito mais bonito dizer "sei de tudo, agradeço quem me alerta, mas vou ficar pois só serei feliz aqui" do que atacar as outras como se fossem as causadoras desse mal. Essa primeira não é iludida. Essa é conformada e lúcida. Gente! Passamos TODAS pela mesma estrada. Fica quem quer, sai quem quer, mas daí a responsabilizar quem sai, é tirar o ônus de quem o tem, e jogar em que foi vítima. Esse desvio de foco é providencial, eu sei, mas não muda os fatos. TODAS foram vítimas. Isso é fato. Mas.... perseguir o outro, aí muda tudo de figura... Invadir o direito de escolha realmente não dá. Tentou uma vez, o outro não quis, é hora de respeitar. Tentaram comigo, eu quis, mas agora também chega.  Enfim, EU não preciso ouvir mais nada porque sei de tudo que precisava saber, ou melhor, muito mais do que seria necessário saber para chegar a conclusão de que tudo aquilo vivido e experimentado fazia parte de um "montante" comum -  comigo, com essa, com aquela, enfim, com TODAS. Gostaria muito que não fosse assim,  porque tiraria de mim essa triste constatação de que o mal existe. Mas duvido.
Finalizando, por favor, não me envie mais nada... tenho outra vida, estou em paz, amada, feliz, NADA mais me interessa, não perca energia comigo e, na minha opinião, mais uma vez, não perca energia alertando ninguém, porque tudo, absolutamente tudo, será em vão. Todas as evidências serão "colocadas no bolso" pelos próprios corações apaixonados que desejam que seja assim. Pode acreditar. Portanto, siga em paz, alivie seu coração e esqueça! Ou então, faça um blog e escreva, escreva, escreve, até que passem os maus sentimentos, único saldo de histórias ruins, regadas a mentiras e covardias.
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