Nunca fui daquelas pessoas exigentes
consigo mesmo. Sou o que deu para ser. A superação que sempre busquei foi interna. A que me impulsiona até hoje.
Acho que fiz bem menos do que poderia. E
menos ainda do que gostaria.
Plantei mais de uma árvore. Fiz três
filhos. E escrevi alguns livros. É pouco.
Não concretizei o velho projeto de uma
casa de assistência a meninas grávidas.
Não fiz o caminho de Santiago a pé.
Não adotei uma criança.
Não dediquei tudo o que gostaria aos meus
estudos de astrologia e tarô.
E ainda continuo morando na cidade em que
nasci.
Cresci acreditando que viver era algo mais
do que estudar, trabalhar, formar família.
O sinal mais presente na minha trajetória
foi o de interrogação. Perguntas choveram sobre mim desde a primeira vez que
percebi o mundo. Lembro-me quando de frente para o mar perguntei como alguma
coisa podia ser infinita e ninguém soube me responder. Compreensível.
A morte me incomodava desde que ouvi no
colégio de freiras onde estudei que ficaríamos para sempre ao lado de Deus. Que
tédio! Entender que a dinâmica era outra, me deu gás para "tentar" a
vida.
Me achei menos "esquisita" ao
ouvir de uma pessoa, a pouco tempo, que perguntas são mais importantes que respostas.