O blogger é atualizado de acordo com as batidas do meu coração. É um prazer tê-los comigo.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

MEDO DE AMAR DEMAIS

Recebi um email com o qual me identifiquei. Foi curto e dizia apenas: "Nunca amei. Preferi assim. 95% das pessoas sofrem por amor, como não me considero burra, e nem privilegiada, não quis apostar que ficaria entre as 5%. Não conheço as alegrias de quem amou e foi amada, mas também nunca vou experimentar as agruras do final. Se me arrependi? Só uma vez, quando  vi um casal de meia idade, de mãos dadas, olhando o pôr do sol na praia, enquanto eu caminhava sozinha pela areia. Mas passou rápido".
Ufa! Estou excessivamente emotiva por esses dias, e confesso que esse email, me revirou por dentro.
Cresci tentando me vacinar contra o excesso de amor, enquanto presenciava minha mãe definhando-se aos poucos, por causa do meu pai. Todos os dias,  após escovar os dentes e lavar o rosto, eu encarava o espelho e dizia olhando-me nos olhos: "nunca vou sofrer por amar demais". Era quase um "toc", se eu esquecesse de falar isso,  subia as escadas de casa novamente, voltava ao espelho e dizia. Meu dia só começava, depois de concluir esse ato quase  ritualístico.
Na minha adolescência, apaixonei-me apenas uma vez  Foi um relacionamento longo, cheio de aprendizados, alguns bons, outros nem tanto. Quando percebi que estava traindo o espelho, terminei.  Depois disso tive outros namorados,  que foram apenas...namorados. Voltei ao ritual do espelho. Não queria correr o risco de passar a vida  amando demais, e sofrendo demais. Aí, por um motivo qualquer, que nunca consegui explicar, resolvi comigo mesma, que o problema não era o fato de amar demais, ou menos, mas sim, o risco de ser muito feliz no amor. Eu pensava: Se eu for muito feliz no amor, e por algum motivo perder tudo isso, vou ficar como minha mãe - enterrada em um sofrimento sem fim. A solução então, seria amar somente, mais ou menos, pois no caso de algo dar errado, eu estaria protegida de sofrer. Pouco tempo depois, vim  entender, que isso significava escolher as pessoas erradas. E...
Enfim, fui fiel ao  espelho. Não sofri por amar demais. Mas ainda acho que perdi grandes chances por conta do medo de sofrer. E, no final, sofri por outros motivos. Não adianta querer negociar com a vida. Ela nunca nos dá garantias.
Quanto mais alto o vôo, maior a queda. Certo? Pode ser. Mas também...
Quanto mais alto o vôo, mais bela a vista.
Partindo desses dois pressupostos, como decidir? Não sei dizer.

4 comentários:

Dalva Eline A. Santos Silva disse...

Gostei muito do seu texto. Muito interessante como estamos preocupadas em relação as reações de nossos sentimentos. Cultivamos até o medo de amar demais. Entendi que se amamos sofremos, se não amamos sofremos também... É, não é fácil dominar os sentimentos, nem todos conseguem usar o domínio próprio parar diante do SINAL VERMELHO. Parabéns!

Anônimo disse...

Sozinho, amar demais já vale um blog. Eu entendo q amor não tem peso e nem medida, amor é energia entre duas pessoas, a melhor energia possível de sentir, não de medir. Jamais tive medo de amar, amar pra valer, incondicional. Se acabar, vai sofrer, com certeza. Sim, mas e daí? Não vou amar prq não quero sofrer, então, não viva! Não respire, não coma, morra aos pouquinhos...

Marcela disse...

É isso Dalva, se ficar o bicho pega, e se correr o bicho come...
Concordo com o Anônimo(ciente de que concordar não é conseguir fazer igual): proteger-se de amar, é aceitar morrer aos pouquinhos...

Site Relacionamentos disse...

Interessante esse depoimento. Nunca é tarde para tentar ser feliz!

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