O blogger é atualizado de acordo com as batidas do meu coração. É um prazer tê-los comigo.

sábado, 30 de abril de 2011

SEM PRÍNCIPE NÃO HÁ SAPO



Como disse um amigo, o último príncipe casou-se... Então mocinhas que ainda esperavam por um príncipe, foi-se!
Contentem-se com um simples mortal, e olhem pelo lado positivo - vocês não correm o  risco de vê-lo virar sapo! Tudo tem seu lado bom.
Como sempre digo, expectativa vive de braços dados com a frustração. Mas dá para investir em um relacionamento sem expectativas? Acho difícil, mas não impossível. É preciso uma boa dose de racionalidade, que infelizmente não está a venda em lugar nenhum... Mas dá para "peneirar" antes de escolher.
Ninguém pode oferecer o que não tem, portanto observe bem o "objeto" em questão sem fantasiar. 
Se o sujeito só gosta de cachaça e churrasco, não suporta música que não seja pagode com amigos, não lê mais do que bula de remédio, e cinema só se for filme de bang bang, não espere que ele te acompanhe para assistir a orquestra sinfônica que você tanto preza e nem que te convide para saborear um peixe com alcaparras acompanhado de um vinho... 
Tudo conversado se entende?  Acho que não. Quando se está apaixonado a tendência é entender tudo. Para depois perceber que muitas coisas foram sabotadas.
Não projete no outro o seu desejo de homem ideal . Enxergue-o como ele é e não como gostaria que ele fosse. Pondere se o que ele tem para lhe oferecer te satisfaz, caso não, deixo-o partir, pois você não será feliz e claro, ele também não. 
As pessoas não são iguais, mas existem muitas que são parecidas. Procure por isso. 
Gosto realmente não se discute, mas compartilha-se. Ache quem compartilhe o seu. Você viverá mais relaxada. Relacionamento não pode depender de "esforço" de nenhuma das partes para sobreviver. Esforço deve ser feito para carregar peso, e não para viver a dois. Dedicação não é esforço e nem príncipe é encantado...O último fugiu de todos os protocolos reais e imaginários quando traiu a bela e jovem esposa com uma mulher feia e com muitos anos a mais do que ele, e pelo que nos mostra a mídia, vive feliz ao seu lado. Portanto, nem a realeza que adora uma regra, pode oferecer  regras que garantam a felicidade a dois.
Busque apenas quem possa ser o seu parceiro, e deixe os sonhados príncipes virarem sapos bem longe de você.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

FELICIDADE



O mundo parece uma pista de corrida onde a felicidade é o prêmio que todos se atropelam para conquistar.
Cada um vê sua felicidade dentro de um contexto que sempre se difere do vizinho, e por ser um conceito individual não há como enquadrá-la, apesar dos milhões de manuais que teimam em ensinar fórmulas para conquistá-la.

Tem um autor que diz que o "anseio é realista quando você parte da premissa de que a pista para a realização deve estar em você". É nessa a pista que você tem que correr, as outras são becos sem saída e te levarão a lugar nenhum.

Para ser feliz é inevitável pagar o preço de uma autoconfrontação severa. Você tem que assumir a responsabilidade pelo seu estado atual e pelo estado ao qual aspira. Enquanto não tiver consciência disso, vai repetir escolhas equivocadas e continuar infeliz.

Momentos infelizes proporcionam uma compreensão mais profunda das relações entre causas e efeitos e uma percepção de sua força e de seus recursos internos. Mas para isso também é preciso consciência. E nada disso é em vão, o ruim é "errar o mesmo erro". 
Reproduzir escolhas em escala vida afora é viver na marcha à ré.

Todos erram muito até acertar. Faz parte do aprendizado. O ruim é ficar escolhendo as mesmas situações, pensamentos, emoções, relacionamentos, teimando em repetir interminavelmente o mesmo padrão. Isso é improdutivo, não leva a lugar algum e ainda adoece você e contamina quem está a sua volta. 
Sem consciência ninguém se liberta. O hábito pode ser um inimigo poderoso quando decidimos nos livrar dele... Sempre cria raízes profundas e para modificar isso é preciso força, e ninguém é forte se estiver inconsciente de si mesmo. 

Ser feliz é o maior projeto da humanidade e todos acreditam depender de pessoas e coisas para realizar essa conquista. Mas não deveria ser assim. Eu aposto que a felicidade verdadeira só existe a partir de um encontro solitário consigo mesmo. No mais conquistaremos bons e inesquecíveis momentos felizes que podem durar algumas horas ou algumas décadas.

Mas em detrimento de tudo isso, existe uma certeza interna em cada ser humano e que nunca pode ser abandonada que é o desejo que nasce da sensação de que sua vida pode ser muito mais.


quarta-feira, 27 de abril de 2011

AMANDO UM HOMEM CASADO


Andréa me escreveu um desabafo longo e bem escrito, que transbordou toda a emoção necessária para me envolver completamente em sua história. Trinta anos de idade, carreira bem sucedida, divorciada e sem filhos resolveu retornar à sala de aula e cursar outra faculdade. Muitos amigos, boas noitadas, e sempre um "namorinho aqui e ali", nada sério. Não constava em seus planos um envolvimento duradouro "pelo menos não nos próximos seis anos" .
No final do quarto período de faculdade ocorria um fórum em sala de aula e o professor responsável assentou-se ao seu lado para assistir "era um homem razoavelmente alto, calvo, bem barrigudo e uns 10 anos mais velho que eu". Sorriu ao assentar-se e cumprimentou-lhe batendo delicadamente a mão sobre a dela. "gostava de suas aulas, achava-o inteligente, bem humorado e extremamente jovial."
No final das apresentações ele fez qualquer comentário e ficaram conversando por mais de uma hora "fiquei tonta com o cheiro bom do seu hálito e a doçura do seu sorriso que nunca tinha notado".
No outro dia, no outro e no outro ele aproximou-se dela no intervalo da aula e um dia convidou-lhe para jantar. Ela gostava muito de conversar com ele “mas daí a jantar... poderia dar uma conotação de interesse homem/mulher que eu jamais teria por ele, definitivamente ele não fazia meu tipo".
Quando ela chegou, ele já estava no restaurante, levantou-se e veio ao seu encontro "olhei para aquele homem jovem, apesar de velho para o meu gosto, calvo, e barrigudão e pensei no que eu estava fazendo ali". No terceiro dia consecutivo saindo juntos à noite, foram ao apartamento dela "e tive a melhor noite de toda a minha vida". 
Não fez nada no dia seguinte, não conseguiu ir a faculdade, não conseguiu levantar-se da cama, estava atônita, com um sentimento de completude nunca antes experimentado - "estava amando, não tinha dúvidas disso! Um homem inteligente, excelente papo, bem humorado, calmo, educado, careca, barrigudo e o melhor amante que já tive!" 
Recebeu um buquê de flores lindo e um cartão que dizia "Você sempre diz que adora o fato de eu lhe incentivar, e te digo que por enquanto é só o que posso lhe dar - incentivo e o meu amor."
Não entendeu muito bem, ela não dependia dele para nada, ele sabia disso, e só queria mesmo o seu amor e a sua companhia. Mas... A vida bate forte algumas vezes, e apesar do amor que sentia por ela, ele não poderia mesmo dar-lhe a desejada companhia, pois era casado e tinha duas filhas. "No primeiro momento achei que fosse morrer, depois desejei matá-lo. Ele não me deu a chance de escolher se ia querer ou não me envolver com um homem casado."
Eu entendi sua revolta. Não foi um amor à primeira vista, não foi uma paixão fulminante. Tudo aconteceu no caminho inverso. Foi uma conquista que se deu aos poucos, uma admiração que nasceu através da intimidade que brotou das longas conversas, das gargalhadas, das afinidades, e finalmente do sexo.
"Ele chora e me pede perdão, eu choro e lhe cobro uma explicação". Mas quando ela lhe pergunta o que será deles dois (porque ela não quer desistir do que acredita ser um verdadeiro encontro de almas) ele diz que precisa de um tempo para resolver a situação do seu casamento.
E quando ela me pergunta o que eu acho que deve fazer, eu digo que tenho duas respostas: 
Uma da pessoa racional que briga para conseguir morar em mim sem ser despejada e diz- "Sai fora, você vai sofrer, mas vai passar. Envolver-se com pessoas casadas não vale o risco"
A outra, irracional que está confortavelmente instalada em mim e diz- "Jogue-se de cabeça. Não abra mão de um amor"
Só você pode decidir qual das duas opiniões lhe servirá, pois eu mesmo vivo em conflito entre elas.
E para você, a segunda pessoa que vive em mim envia esse poema de Fernando Pessoa:


"Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se achá-lo, segure-o!
Circunda-te de rosas, ama, bebe e cala.
O mais é nada". 



domingo, 17 de abril de 2011

ETERNAMENTE, MINHA FAZENDA!


Já amei diversos corações. Já amei coração de bicho que sumiu. Já amei coração que escolhi entre tantos corações, e errei. Já amei coração de gente que pensei que nunca ia me magoar, mas magoou, de gente que acreditei para sempre me compreender, e me acusou, de gente que senti que seria para sempre, mas acabou. Já amei coração de gente pobre que era rica, de gente rica que era pobre. Já amei coração de gente pequena que cresceu, de gente grande que envelheceu, de gente velha que morreu. Mas nunca me imaginei amando do fundo do meu coração qualquer coisa que não tivesse coração. Mas amei. Amei um pedaço de terra... Com tanta intensidade que parecíamos pertencer um ao outro. Senti tanta dor ao me despedir dele para sempre... E toda a vez que vejo a lua, essa ferida abre.
Lembro em meus momentos mais difíceis,  bastava contemplar aquela natureza, plácida e serena, e eu era invadida pela certeza de que tudo ia melhorar. Eu lançava um olhar de desalento, e "ele" me devolvia com um céu azul, um canto de pássaro, uma orquídea nova.
Minha espiritualidade floresceu ao seu lado...Eu ficava silenciosamente sobre sua grama e "você" trazia até meus ouvidos, a voz de Deus.
Era tão difícil voltar para casa. Eu sonhava com momento de ficar definitivamente com "você", era só aguardar o tempo - as crianças iam crescer e eu, envelhecer, quando ficaríamos juntos para sempre.
Minha dor ficava tão menor quando pisava na sua terra quente e úmida - a vida se renovava sob meus pés.
Passei por tantas transformações ao seu lado.

Eu literalmente fugia para a sua companhia quando a dor extrapolava os limites do suportável, e "você" me acolhia, mansamente, como só as mães fazem. Eu me perdia do mundo para me achar aí. Ficava semanas, meses sem sair do seu lado, achando que a vida poderia se resumir a "você", que preguiçosamente, me olhava dizendo que ainda não, não era chegada a hora de ficar para sempre. E eu, obediente, retornava. Saía novamente do útero para a vida. Saía da realidade que criei para outra que me criou, e da qual em vão, eu tentava fugir.
"Você" acolhia minhas meditações às margens de suas águas, quando minha paz se misturava à sua, e juntos nosso silêncio era ensurdecedor.
Mas... um dia "você" se foi. O anos passam e o vazio que ficou é o mesmo deixado por um grande amor, um amor diferente de todo os poucos amores que já tive.
Dizem que o céu é um só. Não o seu. O seu céu é diferente de todos! Suas estrelas, sua lua, seu sol, são únicos, assim como "você" e sua milagrosa capacidade de me regenerar.
Eu vou seguindo sem "você", tentando me achar em outro silêncio, sob outro céu(céus!onde vou achar uma lua como a "sua"?) aceitando viver esse luto sem reclamar do destino(como me conformar em passar o resto da minha vida sem ver "seu" pôr do sol?).
Com certeza Deus estará falando comigo através de outro lugar, enquanto você vai continuar falando de Deus com outras pessoas.
"Você" é um ser vivo em potencial. Sonhei em findar minha vida ao seu lado.Imaginei que na minha hora de partir, você estaria ali me embalando, e com todos os seus mistérios, me entregaria para o outro lado. Tinha certeza de que não sentiria medo e nem solidão. Mas não será mais assim
Minha vida segue agora sem a sua poesia.

domingo, 10 de abril de 2011

PERDER DÓI


De alguma forma, em algum momento da vida somos domados. 
Aprendemos a justificar tudo, o tempo todo, para nós mesmos e para o mundo. Como forma inquestionável de sobrevivência.
Chegamos ao cúmulo do desprendimento- justificando perdas como ganhos.
Perder faz parte de viver. Crescemos perdendo... Perdemos dentes, perdemos o colo, perdemos aquela soneca no meio da tarde, perdemos a inocência.
Com o passar do tempo  nos acostumamos com a dobradinha – perder e ganhar. Mas hoje só as perdas me interessam. Sem melindres. Sem medo de parecer negativa, piegas, frustrada ou depressiva.  Perder é horrível.  Desde perder o vôo, até perder os sonhos.  O ser humano não se habituou a viver o luto como quer.  Não lhe é permitido. Ele precisa fingir. A intenção é boa, mas a conseqüência é desastrosa. A sociedade teima em criar super homens, que terminam sempre condenados às tarjas pretas.
Quando uma criança perde seu bicho de estimação, correm para substituí-lo, se perde o melhor amiguinho da escola porque ele se mudou para a China, logo lhe consolam dizendo que um dia irão visitá-lo, quando os pais se separam, dizem que vai ser bom, pois ela terá duas casas. Menosprezam a importância dos laços de afeto, na intenção de evitar o inevitável: a tristeza perante  certas situações.
Quando adolescente - não devem chorar à toa (será que alguém acha uma distração chorar?), não podem temer, pois já são quase adultos, precisam aprender a enfrentar as dificuldades com coragem... Quer mais coragem do que assumir o medo?  Sofrer pelo primeiro amor é sempre a mesma ladainha: “É isso mesmo, acontece com todo mundo, essa é só a primeira vez”. Vem a reprovação no primeiro vestibular: “Ah! Você é muito novo, no próximo a vaga será sua”. Vem o primeiro emprego e com muita dificuldade a realização de um sonho: a compra do primeiro carro que ainda sem seguro, é roubado na porta de casa: “Pense na sorte (!) que você teve, afinal foi só o carro”. PQP!
Para que esse imediatismo em se livrar da dor? Perder dói, seja lá qual for o objeto da perda. Se não há como escapar da perda, porque tem que escapar do sofrimento que ela causa?  É assim que desde muito cedo somos incentivados a dissimular nossos sentimentos. Fingindo primeiro para atender ao apelo daqueles que nos querem bem, e depois, por força do hábito, fingir torna-se hábito.
Na primeira frustração do trabalho – um projeto não aprovado, um livro não editado, uma promoção que não ocorreu, corre-se para o barulho – do bar e suas muitas latas de cerveja, da boate e suas luzes que cegam, enquanto o silêncio que permite ver e analisar o que aconteceu, é objeto de horror! Chorar então, nem pensar.
Quando casado e infeliz, ficar até mais tarde no trabalho, inventar um esporte para todas as noites, ou escapulidas com outros parceiros, é mais fácil do que enfrentar o vazio da relação.  O problema parece menor com a cabeça cheia de projetos profissionais, com as piadas dos amigos, com os diferentes perfumes e as lembranças das noites quentes e vazias. Qualquer coisa que por algum tempo consiga distrair e manter longe o inevitável confronto com suas falhas e as do parceiro, é válido. Mas trancar-se no quarto sozinho ao invés de suar em campo, ou suar com outros, e perceber o que precisa ser sentido, para elaborar o que é iminente fica fora de cogitação. O segredo é correr atrás de não sentir. Anestesiar é a solução.

Um dia você se vê sozinho, mas não quer pensar o porquê de estar sozinho. E dá-lhe noitadas, sexo, bebidas, viagens, qualquer coisas que compulsivamente te afaste e te proteja de sentir. 
Quando de repente por nenhum motivo você acorda sem forças para sair da cama, o dia fica longo, você não quer ver ninguém, falar com ninguém. Desliga o celular, o computador, a campainha. Vai se olhar no espelho e perceber o quanto esteve longe. Vai pensar, vai lembrar, vai chorar. Muito. Finalmente vai se permitir sentir. E, com surpresa percebe que vai sobreviver. E entender que perder e perder-se faz parte e que dói mesmo. No seu recolhimento vai saber que você não é e nunca foi melhor, nem mais forte, nem mais inteligente, nem mais capaz do que ninguém.  Você é apenas você.
A partir do momento que compreende e aceita a sua fragilidade, você se torna uma gigante e perder ou ganhar torna-se apenas uma contingência do momento. 
Apesar de que em minha opinião, a partir daí, as chances de ganhar tornam-se muito maiores do que as de perder.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

"PRIMEIRO A GENTE FOGE, DEPOIS A GENTE VÊ"


Eu percebo o mundo através das pessoas e das palavras, preferencialmente pessoas e palavras que sejam desconcertantes, pois é essa imprecisão que me fascina.
Cada vez sei um pouco menos, e quanto menos sei, mais busco e quanto mais busco menos certezas me permito. Essa falta de completude me move. Agarro-me ao conhecimento com todos os meus sentidos. Sou obcecada por tudo aquilo que colabora para que eu me torne maior que eu. Minha vida voltou-se muito para o universo dos relacionamentos. E me surpreendo do quanto esse oceano é como o próprio oceano: incerto e sedutor. Uma forma de tormenta. Que tem pressa.

Geralmente a capacidade de racionalizar é proporcionalmente inversa às delícias de se apaixonar. Não vai aqui nenhum juízo de valor. Até mesmo porque a probabilidade de não sofrer é maior para quem usa o bom senso e a crítica para guiar a expressão emocional. Os menos racionais atiram-se, tropeçam, caem, machucam, mas em compensação... Recebem mais, amam mais e até sonham menos porque se permitem experimentar mais (entenda-se esse experimentar como se aventurar por terras que de fato ofereçam um algo mais).
No amor, quem se guia só pela razão, um dia vai sair em busca do que ninguém poderá devolvê-lo – o tempo que ficou congelado, as emoções não vividas, as luas que não foram olhadas, os abraços que não foram trocados, porque estava pesando e medindo sensações e desejos, com o que lhe era conveniente - por medo ou crença.
 “É assim, o tempo: devora tudo pelas beiradinhas, roendo, corroendo, recortando e consumindo. E nada nem ninguém lhe escapará, a não ser que faça dele seu bicho de estimação”.
 O maior risco da paixão é tornar-se amor. Um amor não programado. Mas investir ou não nesse amor é uma escolha que será feita depois de, pelo menos, sentir o gosto da paixão. É como cantam popularmente por aí:
 
“Se você quer saber o que vai acontecer
Primeiro a gente foge
Depois a gente vê”.

Depois de “fugir”, é hora de pesar e medir - Vale à pena investir? É essa pessoa que quero para minha vida? Serei feliz convivendo com seu temperamento, suas posturas, seus valores? A razão redireciona e modifica a expressão das emoções. Não sei se isso engessa a espontaneidade, talvez sim. Mas nesse momento, isso já não importará mais.
 Prazer e satisfação são sensações agradáveis, mas tirando essa similaridade, há grande distinção entres esses conceitos – um é só um momento, o outro é uma escolha. Mas para escolher, é preciso se permitir o momento. As emoções são mais rápidas que a razão.
 É preciso manter a emoção enquanto ainda se é platéia. Nessa hora é preciso pagar para assistir o primeiro ato. Não sei se é uma escolha inteligente, aliás, nem é uma escolha, é quase um instinto, o ato que leva a subir ao palco.
No momento seguinte é hora de lançar mão da razão. E a partir daí decidir com consciência, se continua ou sai de cena, arcando com todas as dores que isso pode causar. A mesma coragem que é preciso ter para se lançar é preciso ter para se retirar.
Só acho que ninguém deveria se retirar sem antes se lançar. O tempo não perdoa... Melhor o ferimento e suas recordações cheias de vida, do que o vazio repleto da pergunta -“como poderia ter sido”?

segunda-feira, 4 de abril de 2011

TRAIÇÃO VIRTUAL


Recebi um email com a pergunta - “Existe traição virtual”?
A convicção é perigosa, mas me arrisco – é óbvio que existe! Se existe relação virtual, existe traição virtual.
Não vejo dificuldade em entender isso a partir do momento em que se acredita que laços verdadeiros podem ser firmados (e desfeitos) através da virtualidade.

No blog “O amor está na rede” http://www.oamorestanarede.com.br/ de Erica Queiroz, certamente existem muitas matérias a esse respeito, vale conferir.

Não vou abordar aqui os sites de relacionamentos onde as pessoas se cadastram para encontrar alguém com características pré-estabelecidas, porque entendo que a pergunta não cabe para essa situação. Percebo que a questão é mais sutil.

Há muito tempo os relacionamentos vêm passando por transformações. As mulheres estão buscando viver de modo singular, libertando-se das posturas que as feministas definiram como sendo modus operandi que possa garantir o papel da companheira, amante, mãe e dona de casa, sem perder as indubitáveis conquistas galgadas do universo feminino. Ocorre que essas mulheres descobrem que seguir uma opção pessoal, independente de manuais, também não é garantia de felicidade a dois.
Enquanto isso, os homens vão tentando se encontrar dentro da relação em que vivem ou buscam viver, perdidos, entre Amélia, workaholic, Bridget Jones e fêmea fatal. Também tentando encontrar o tipo de relação que os fará feliz.
Nesse antigo descompasso entre as fórmulas da felicidade conjugal e o que cada um aposta que poderá lhe fazer feliz ou não, somos presenteados com o ilimitado mundo virtual abrindo-nos um universo de perspectivas. Somos içados do emaranhado de livros de auto-ajuda que compulsivamente surgem trazendo sempre a “última solução para viver bem a dois”, e entramos em salas de bate papos (o famoso chat).
Troca de experiências, desabafos, conselhos, e percebe-se que o mundo está repleto de pessoas com os mais diversos tipos de questões sentimentais. A cadência de relatos sobre relacionamentos a dois impressiona. Essa constatação de que você não está sozinha em sua queixa, conforta. Pois a colega de ginástica, a cabeleireira, o chefe do escritório, a turma da pelada de domingo, as mães que tagarelam na porta da escola dos filhos, parecem sempre protagonizar o relacionamento perfeito! Quantos deles não estarão como você, em algum chat? Todos na mesma embarcação, buscando as mesmas respostas.
Ai, um dia, em meio a essa troca despretensiosa, você esbarra (assim mesmo como em uma esquina) com alguém que pensa como você, que gosta das mesmas coisas e que também está ali pela mesma razão - sente-se só, e busca encontrar pessoas afins.
 
É improvável que um casal feliz fique entrando em salas de bate papo, mas caso entre, não vai se envolver em algo mais do que novas amizades. Se a relação é inteira, não haverá espaço para ninguém entrar.
Ou há?
Ou não existe relação inteira?
Ou foi inteira por anos até que um dia deixou de ser?
Ou estava inteira até o momento daquele chat onde se conheceu alguém?
E cada dia me convenço mais que certezas em torno de amor são como bolhas de sabão...


Uma pessoa que guardo comigo, me disse que meus textos passam uma visão fatalista sobre relacionamentos – que quando esses não dão certo já evidenciavam essa possibilidade, e os casais, desatentos ou mergulhados na irracionalidade própria dos apaixonados, é que apostaram errado. É verdade, sempre pensei assim, e nunca tinha me dado a chance de perceber de outra maneira.
Essa nova ótica que generosamente me foi apresentada, de que muitas relações podem dar certo e um dia chegar ao fim, desarrumou algumas coisas dentro de mim. À medida que vou arrumando, vou percebendo que essa abordagem faz mais sentido – relações que eram afinadas, um dia perdem o compasso e a dupla não encontra mais o tom, e isso não invalida as belas melodias que tocaram juntos.
É uma visão mais realista, sem a irracionalidade que por vezes me acompanha.

Diz Lia Luft – “pois viver deveria ser – até o último pensamento e o derradeiro olhar – transformar-se.”
Ocorre que quando só um acredita nisso, é o começo do fim, o grande descompasso que poderá levá-la/o ao interessante mundo dos relacionamentos virtuais.
E quando menos se espera estão teclando diariamente, a tela do computador parece pulsar, viva, transmitindo as emoções... E vem a necessidade de esconder esse fato do companheiro/a – apagam-se todas as mensagens, troca-se a senha antes compartilhada, enfim afastam-se, ficando de lados opostos. A meu ver, começa aí a traição.

“Traição é trair a confiança”. É isso. Respondida a pergunta.
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