O blogger é atualizado de acordo com as batidas do meu coração. É um prazer tê-los comigo.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

A roda do destino


A vida é uma roda em constante movimento e estamos à mercê do destino (meu maior aprendizado de 2012 foi acatar essa realidade) só o centro da roda é imóvel e só podemos chegar a ele após passarmos da circunferência para o centro - o centro do nosso ser, e aí estaremos libertos desse movimento constante repletos de mudanças fortes e consideráveis renovações tantas vezes dolorosas e inesperadas.
Eu entendo a vida através de símbolos que além do poder de representação das idéias, tem também o poder de despertar, transformar e direcionar forças internas, por isso, amo a magia. Tudo tem um significado sujeito à interpretação e ao sentimento da pessoa que o percebe. Quem vive atento está sempre recebendo recados do universo. A felicidade está diante de cada um de nós - apenas com uma trágica diferença - nem todos têm a mesma oportunidade na saída. Enfim, as oportunidades são iguais, ocorre que alguns conseguem atravessar várias etapas para chegar logo, e outros precisam refazer parte do caminho. O ritmo do planeta está em cada um de nós. O aprimoramento de cada um é um fenômeno de individuação. Conscientes disso encaramos outro nível de percepção. Precisamos olhar a vida em sua totalidade, descobrir as verdadeiras dimensões dos acontecimentos e fazer uma revisão constante. Ninguém progride sem uma observação atenta de si mesmo. O homem não sabe até onde está o poder do destino sobre ele e, impotente, lança-se à luta para conquistar coisas materiais, ignorando que a solução está nas coisas do espírito. 
Quando se perceber julgando seus semelhantes pense que essa é a sua verdade, mas pode não ser a dos outros. Não ceda ao impulso de julgar e condenar, não passe os olhos rapidamente sobre o outro... Perceba-o verdadeiramente, e se te for impossível, engavete sua sentença... Não se trata de asfixiar suas observações, mas sim de servir-se dela com compaixão. É preciso medir exatamente o que é necessidade, o que é vaidade, o que é covardia, o que é temor. É preciso delimitar o ponto preciso, deduzir quando a vontade deve ser empregada, quando trará acréscimos e não decréscimo, é preciso atender a alma e não simplesmente à carne. Às vezes, num simples acontecimento na esquina você poderá encontrar a iluminação e engajar-se no mundo autenticamente. É assim que eu tento viver, e confesso que não é fácil. 
E outro réveillon chegou. No ano passado eu estava triste nesse dia. Muito triste. Mesmo consciente do significado da chegada de mais um ano e suas oportunidades, ciclo fechando e outro se abrindo, tudo estava cinza. Cada fogo de artifício do lado de fora, parecia um estouro dentro do meu coração apertado. E, então, jurei que jamais me submeteria a outra virada de ano arrastando correntes, tentando fazer de fins anunciados, recomeços forçados, me agarrando aos pés daquilo que havia sido minha realidade e que agora seguia, me atropelando sem olhar para trás. E consegui... Viro ano sozinha, comendo uma pizza com minha filha de oito anos, mas sei que cada fogo no céu será uma batida feliz do meu coração. Porque sou grata. Porque estou em paz. Porque não levo rancor. Porque posso sentir minhas asas. Estou pronta para (quase) tudo. Foi um ano de imensos aprendizados. Creio que todos o são, só que dessa vez eu estava pronta a enxergá-los. Novo ano é oportunidade de ressignificar tudo. Desarrumar para arrumar em novas gavetas. Derrubar respeitosamente o que não mais te movimenta e construir-se em outros terrenos. É preciso coragem. Mas vale à pena chegar ao balanço de fim de ano e perceber que você não desperdiçou nada - nem oportunidades, nem tempo, nem vida, nem sonhos... e o que não deu, o que não foi, o que não aconteceu é coisa do destino e enquanto não se chega ao centro da roda, inteligente é ter resignação.
Como belamente escreveu Luiz Peregrini - "Todo movimento, em última análise é uma viagem. E nesse sentido até um simples passeio pelo quarteirão pode ser enriquecedor.Com uma condição: que ele seja feito com a consciência desperta. Com os cinco sentidos inteiramente ligados, e acoplados àquela capacidade intrínseca da consciência que é a observação. Quando alguém costuma a "viajar" desse modo, a própria vida se transforma numa permanente e excitante viagem, e cada um de nós, em peregrinos da existência."


terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Busca pela igualdade é atraso e ilusão

Nada é mais ilusório, no meu entendimento, do que a busca pela igualdade da espécie humana. Doutrinas que pregam a igualdade, norteadoras de várias Revoluções, se estudadas sob outros olhares, demonstram um progresso humano que ficou estacionário, eu diria até, que houve uma involução da alma humana, porque poucos estavam conscientes do porque lutavam... e sem consciência não há conquista.
A busca pela igualdade na vida física e social é um objetivo a ser perseguido, pois é preciso acreditar nessa justiça, mas ainda assim, creio ser uma luta quase pessoal... Mas igualdade na vida intelectual e moral jamais serão conquistadas.  Igualdade universal de inteligência e virtude? Nunca! Jamais a humanidade gozará de uma lei da igualdade universal... Se nivelarmos todos hoje, estaremos preparando o terreno para a tirania de amanhã. Em toda a criação, a primeira lei da natureza é a desigualdade... Para que o mundo se torne habitável, temos o verme e os astros, Hitler e Madre Tereza de Calcutá... Quem só aspira a igualdade é incapaz de gozar a liberdade. Tanta igualdade deixaria o mundo sem um mestre. Creio eu, que essa perspectiva seria desesperadora para a humanidade! Se todos conhecimentos e verdades fossem pregados a todos os seres humanos igualmente, amanhã já haveriam uns sabendo algo mais do que o resto. Porque é assim? Não sei. Mas percebo que é. 
O grande mal dos relacionamentos humanos passa por aí... a maioria das pessoas cria a ilusão de que, para ser feliz, precisa encontrar a "cara metade", portador de  características comuns à sua, de virtudes semelhantes, de base familiar similar. Grande erro... Para começar, no amor é impossível fazer uso de uma racionalidade tão contundente... Se fizer, não é amor. E para continuar, relacionamento humano, principalmente o romântico, é a maior fonte de aprendizado que temos acesso aqui na Terra. Frequentar uma escola e esquivar-se das dificuldade inerentes ao aprendizado é sinônimo de estacionar! É ficar na tal involutiva zona de conforto. Relacionar-se pede humildade, mas na contra-mão do aprendizado, os casais parecem disputar entre si, o pódio... Na classificatória, esperam do outro, nobreza de atitudes, gestos, sonhos, e na eliminatória, exigiram do outro um passado ilibado, uma vida de perfeita lisura... Jogam fora a chance de uma ajuda mútua onde ambos crescem e, quase sempre, florescem.
Enfim, buscar uma lei da igualdade em um mundo inteiramente formado de pólos opostos, do qual depende sua existência, é no mínimo, um contrassenso(não acostumo com esse novo acordo ortográfico...).

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Hoje não posso dar conselhos


Exatamente dois anos depois de postar "Mete o pé na bunda dele" recebo novamente um email de Vitória, personagem real do texto que, mais uma vez, vem em busca de alívio para sua vida a dois, e inicia seu email:
"Ainda continuo acessando seu blog e lendo seus artigos. Artigos bem escritos: alguns aliviam as minhas angústias outros me enchem de perguntas das quais não encontro respostas e dessa forma me vejo novamente num labirinto. 
E faz a pergunta "fatal":
Mas será que mereço isso?  Queria muito descobrir que elo me uni a esse homem? Por que não consigo me separar dele e viver a minha vidinha feliz ao lado de quem me valoriza? 
E me pede o que hoje, é impossível - conselho:
Quem sabe você possa me ajudar a tirar essa venda dos olhos e ser feliz.
Antecipadamente agradeço.
Grande abraço, Vitória"
Querida Vitória, 
quando recebi seu primeiro email naquele dezembro de 2010, eu tinha uma relação, digamos, definitiva aos meus olhos - casamento feliz e estruturado. No outubro do ano seguinte eu tinha um pedido totalmente inesperado de divórcio a minha frente. Meu mundo caiu. Levei alguns meses para iniciar a reconstrução. Já há algum tempo estou de pé. Recriar-se pede muita dignidade. Vi o que não esperava ver, descobri o que nem imaginava existir, entendi o que me parecia impossível. No fim entendi uma coisa pontual - viver pede coragem. Muita coragem. E graças a Deus, eu tenho de sobra. Não sei te dizer em que momento entendi que essa característica era minha e que nada teria capacidade de tirá-la de mim. E ficamos só nós duas - eu e a coragem. Rapidamente, assim que decidi que tinha chegado a hora de sair do luto, a vida sorriu para mim, e eu, claro, sorri também para ela. Não sou de perder oportunidades.
Outras pessoas surgiram em minha vida. Acenava para mim, a chance de uma nova história. Mas não é porque a vida bateu com força ontem, que vai te pegar no colo hoje, e assim como você, me vejo em uma situação altamente complexa. Enfim, quando você me procurou em 2010, eu era "quase" dona da verdade... Quando estamos organizados achamos que sabemos mais, e talvez seja quando menos sabemos. Hoje, sou sua companheira, na busca por respostas que possam nortear o rumo da minha vida. Seu email me serviu como espelho, e não posso fornecer a você, respostas que não tenho. Seria leviano. Em 2010 eu disse a vc "jogue fora o que te pesa", e não me ative à dificuldade de fazer isso.  Sei dar conselhos que não sigo... De um lado eu tenho uma pessoa que me coloca acima dos mortais, e a qual não dou a mínima esperança, mas segundo ele "quando se quer muito, dispensa-se a esperança". Do outro lado está a pessoa que eu gostaria de ter e não tenho, mas que é onde está meu coração. Estava lendo seu email, quando recebi outro, de uma desconhecida, que se apresentou como ex namorada desse homem que "dispensa a esperança" - quando cheguei na vida dele, a  esposa estava com câncer, foi paixão instantânea, e eu esperneei porque o queria só para mim, ao que ele me respondeu: "que homem eu seria se largasse minha companheira de 20 anos doente terminal?" - eu fiquei, e ela morreu 1 ano depois, e ele continuou com os dois filhos dela (que não eram filhos dele), amando, criando, educando, sustentando...Só não demos certo, porque eu não tinha a grandeza dele. A alma dele estava a anos luz na minha frente. Continuamos grandes amigos e mato por ele, por isso estou aqui. Sou mulher como você, e digo que se abrir mão de uma pessoa como ele, vai estar fazendo a verdadeira besteira da sua vida..."  A partir de uma afirmativa dessa, deveria ser fácil decidir, não é? Mas hoje, assim como você, sei que não é nada fácil... Estou custando a aceitar que seguir o caminho do coração talvez não seja mesmo, sinônimo de felicidade...Estamos, ambas na mesma embarcação, um frágil barquinho de papel em meio a um oceano de dúvidas e incertezas - e se eu for por aqui e errar? e se por lá e me arrepender? Assim, minha cara, não me sinto apta a dar conselhos, mas, seguindo minha lógica e um esforçado bom senso a que tenho me submetido, digo a você que vá até onde seu coração estiver feliz. Se ele começar a murchar, vire o leme. Diferente do que pregam por aí eu não acredito que ele seja burro... creio que coração seja resiliente, resignado, indulgente quando se ama. Ser feliz sem se arriscar é impossível. Só tenho uma certeza enquanto me afogo em dúvidas - relacionar-se sem amor é uma covardia consigo mesmo, com o outro, e com a vida que Deus lhe deu. Por isso, eu decidi não pensar mais no belo email da ex namorada, que recebi, pois não tenho o direito de construir uma vida a dois ao lado de um homem a quem darei tudo que tenho de melhor, mas não poderei amá-lo. Sei que ele aceitaria isso, mas minha consciência não me permite. Tem sempre alguém pronto para amar outro alguém nesse mundo. Tenho certeza disso. Portanto, Vitória, se você o ama verdadeiramente, tente mais uma vez. Se não o ama, liberte-se, e mesmo que ele não aceite, tenha em mente que você o estará libertando também. Viver sem amor, é estar escravizado. Mas hoje sei que é preciso muita coragem para que palavras virem ações.
Como canta Vinícius de Moraes "A vida só se dá para quem se deu". 
Vitórias para você, e para mim também. Bjos

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Desconhecimento de si, desconhecimento do outro

 As pessoas hoje desconfiam das outras tempo integral. E têm seus motivos. Quando perdemos o contato com a nossa Natureza, ficamos menos humanos. Sem encontrar explicação exata, a verdade é que sempre podemos confiar em alguém que tenha uma grande natureza. Eu entendo essa "grande natureza" como indicativo de que seu portador é dotado de sentimentos nobres, e que nele podemos confiar mesmo em momentos de conflito, pois o pêndulo da natureza, no fim de tudo, sempre tenderá para compaixão.
Relações humanas são, em sua grande maioria, inconstantes e fulgazes, o que é compreensível a partir da aceitação de que não nos relacionamos bem nem conosco mesmo. Por trás das máscaras sociais intrincadas e necessárias, poucos se questionam sobre quem são verdadeiramente. Fantasiamos deixar de lado tudo o que é secundário para levar a vida sonhada. Almejamos abandonar a rotina diária em que a ausência, muito mais que a presença, nos move e nos determina. Nosso universo social é comandado por regras. A realidade é mais virtual do que afetiva. O tempo gasto no terreno espectral do mundo dos computadores ganha em larga escala do toque e do olhar. Um mundo sem plano de fundo. Estamos todos ausentes. Para atender ao mundo exterior aos poucos vamos perdendo o sentido do nosso mundo interior. Tornamo-nos sombras na nossa vida. Pessoas alienadas, protagonizam relacionamentos no território da exterioridade. Sucumbem ao ter, e exigem o comando do outro, esquecendo-se que ninguem submete a alma ao cárcere, e quem guarda o poder de amar é a alma,  não a matéria. Egoístas e perdidos de si mesmo, parceiros sentem-se satisfeitos quando entendem que a posse do outro está consumada... Quando nem ao menos conhecem o desamparo daquele que dizem amar,  forçando-o a se alegrar naquela viagem de férias, enquanto ele só queria que segurasse sua mão. 
Um dia, tudo dá errado, e o outro torna-se o "demônio". Nada disso... A consequência da desatenção a si mesmo é a desatenção a quem é o outro de fato, e não ao outro idealizado a partir de um olhar carente, inseguro e egoísta. Como conhecer o outro sem conhecer-se? E dá-lhe traição, decepção, rancor, mágoa. Tudo seria mais fácil se as pessoas buscassem a si mesmas antes de exigir do outro o que não têm a oferecer.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Relacionamentos românticos e o ciclo da vida

Eu nunca me distraio, percebo tudo que me cerca, creio que tudo, mas tudo mesmo contêm alguma lição, e se acontece sob minha "jurisdição" é porque dali, vou assimilar algo. 
Relacionamentos humanos são grandes fontes de aprendizados, mas ainda assim, destaco relacionamentos românticos como as maiores fontes de aprendizado. Pais e filhos, irmãos, avós, tios e primos, enfim, são relações impostas, já o amor é uma relação escolhida, mesmo que de certa forma, seja uma escolha "prisioneira" de todas as nossas outras relações. 
Creio indiscutivelmente na doutrina da reencarnação, mas como questiono tudo, sempre busquei entender qual é o objetivo Divino para jogar sobre nós o véu do esquecimento, pois caso lembrássemos o que fizemos em outra vida, seria tão mais fácil seguir o caminho da luz e não tropeçar nas mesmas pedras. Li muito sobre isso e ouvi outros mais estudiosos, mas nunca fui saciada nessa questão. Deixei-a de lado. 
Hoje após o fracasso de mais um casamento, e desabafos de decepções amorosas de vários amigos - deslealdades dos parceiros, traições, atos levianos, mentiras, omissões, justificativas diversas, e aquele desfecho de sempre - cada lado tem sua versão, cada um defende sua verdade, cada um tem o que acusar e também o que se defender, pensei "se todo candidato a novo parceiro fosse colocado em uma sala fechada com o ex de seu atual amor, e ali pudesse ouvir tudo sobre ele, será que não poderia ser evitado mais sofrimento e rompimento?" Ri de mim mesma, claro que não! Histórias são vivenciadas a partir dos protagonistas, ou seja, se mudam os personagens, muda o enredo. Quem foi desleal, traiu, mentiu, omitiu, não quer dizer que agirá do mesmo modo. Mas, que há uma tendência, ah... isso há! Mas a vida não é feita de tendências, histórias não são construídas sobre suposições e achismos... O caminho a dois não existe, o que existe são dois que construirão um caminho comum e singular. Pessoas têm a chance de se transformar a partir do referencial que o novo parceiro lhe trás, a partir de um olhar, de um gesto, de uma postura, portanto, ouvir de um ex a respeito do atual, é tolher chances e possibilidades de, a partir daquela convivência, nascer outro ser humano, e isso ninguém tem o direito de fazer. Uma história não pode condenar seu personagem para sempre.
Dessa forma, creio que encontrei a minha resposta a respeito do véu do esquecimento da doutrina reencarnacionista. Lembrança de outra vida seria um alerta sobre nossas falhas, o que desencadearia temores, inseguranças e medos, embotando assim novas possibilidades, encolhendo nossa crença acerca de nós mesmos, nos forçando a olhar para aqueles que fizeram parte da nossa caminhada de modo tendencioso, dando maiores chances a uns e excluindo outros. Isso não seria uma nova vida... Isso seria uma vida recomeçada, cheia de retalhos emendados, de cacos colados, de suspiros entrecortados. 
Vida nova precisa ser toda nova. Portanto, boa sorte a todo ex e suas atuais, e a mim e a você que somos atuais do ex de alguém, e somos ex dos atuais de outras... É o ciclo da vida.
Como na "Quadrilha" de Drummond:"João amava Teresa que amava Raimundo 
                                                                 que amava Maria que amava Joaquim 
                                                                 que amava Lili que não amava ninguém..."

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Consciência

Sempre temi que, por um motivo qualquer, minhas lembranças tornassem simples registros. Sentimentos anestesiados robotizam a humanidade e fazem do mundo isso que assistimos dos nossos camarotes. Quando meus filhos eram pequenos e, andando pelas calçadas nos deparávamos com algum pedinte ou deficiente, eles, como toda criança, ficavam parados, olhando, e eu sempre deixava. Nunca os puxei pela mão para que andássemos mais rápido evitando aquela "paisagem feia". Era preciso aprender olhar e ver. Esses dias atrás estava assistindo com meu filho, uma reportagem sobre essa carnificina que está ocorrendo em SP e ele fez comentários até sensatos, mas objetivos demais, quase frios a respeito. E, triste me certifiquei que não havia em sua fisionomia, nenhum horror. Estaríamos registrando com o mesmo entorpecimento o ato de matar e o de morrer? 
A humanidade segue cumprindo prazos, buscando metas, respeitando leis, obedecendo a regras sociais e religiosas, mas não sente. A obediência, confortavelmente, ocupa o lugar da incômoda consciência. E vemos um bando de cegos seguindo cegos. A regra da vez é não pensar. Para que perder tempo pensando se toda e qualquer resposta pode ser encontrada em livros de auto-ajuda, nos discursos dos palestrantes, ou nas pregações religiosas? Consciência é o que ditam, não é mais o que percebemos e elaboramos a partir do que sentimos e vivemos. Tudo pode ser justificado, tudo é aceito, tudo é compreendido. E, na contramão disso, nunca se viu tantas pessoas atormentadas pela culpa, e a partir disso, temos a prova de que, o que não vemos é infinitamente maior do que aquilo que vemos. Ninguém foge à consciência quando essa decide chegar, não tem idade e nem motivo, ela tem vida própria - desperta e exige ser notada. Seguir a maioria é uma máscara. Atrás dela ganha-se tempo para não pensar e não encontrar respostas. Mas não muito; quanto mais o tempo passa, maior será o confronto entre você e sua consciência. E essa, quando chega, nos impede de ceder à pretensão de compreender o que é incompreensível, de comparar o que é incomparável, de aceitar o que é inaceitável e quando percebemos, finalmente emudecemos horrorizados, envergonhados, indignados, culpados, pelo mundo que vivemos e pela vida que levamos. Somos sim responsáveis. Eu sempre afirmo que não carrego culpas, porque busco me manter consciente o tempo todo, e a consciência transforma o "sinto-me culpado por isso" pelo "sinto-me responsável por isso". Sentir-se culpado é estar engessado, sentir-se responsável é estar impulsionado a fazer diferente.
Muito fácil apontar, julgar, acusar e condenar. Mas antes basta fazer-se uma pergunta fatal: meu mundo particular é o mundo que eu gostaria de ver lá fora? Geralmente não é. E aí vem aquela velha máxima - Seja a mudança que você quer ver no mundo.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

A minha paz

Sentada na varanda de casa, olhando a chuva fina cair fiquei pensando de onde vem essa paz que me envolve indiferente ao mundo lá fora que segue disparando metralhadoras contra mim por todos os lados. Tenho a impressão que vivo em duas realidades (ou vivemos todos?). Como em Matrix, me pego duvidando se a realidade é realmente o que é. Creio que a realidade seja subjacente às coisas de nossa experiência, mas ainda assim, me perco.
Se a realidade nada mais é do que aquilo que vemos, sentimos e ouvimos, e da confirmação dos outros acerca disso,  o que fazer quando quase ninguém confirma aquilo que você percebe? Geralmente te internam como louco, ou mais respeitosamente, como deficiente mental.
Minha percepção está submersa em uma parte de mim que existe independente do mundo lá fora, e aí, na guerra, eu vejo a paz, na maldade, eu acho bondade, na escuridão eu enxergo a luz. Indevida. É assim que me sinto sempre. Fora do contexto dessa vida estranha. Ou estranha sou eu? Eu vivo totalmente à margem do mundo lá fora ao mesmo tempo em que mergulho tão fundo, que quase me afogo, naquilo em que acredito. Mas o que acredito não é partilhado pela maioria. Não me conformo com uma existência vazia, nunca vou embora cedo, nunca paro na esquina, nunca entro no mar só "até ali", nunca fico sob a chuva "só um pouquinho". Arrisco sempre. Plagiando um amigo, opção é desistência. E vivo a vida pescando e devolvendo ao mar... Quero a serenidade que me permite ser complacente sem sentir-me roubada em nada. 
Vejo pessoas atormentadas, acorrentadas, enlouquecidas na linha de frente da exaustiva batalha pela posse de coisas e pessoas. Pessoas controladoras jamais terão paz. Talvez esteja aí a fonte da minha paz. Sei que nada me pertence, portanto não preciso empunhar armas, porque não tenho que lutar para conquistar nada. Por vezes, apenas preciso defender algo. 
Quem tem as mãos fechadas não pode receber energia. A palma da mão é fonte receptora e doadora, mas para tanto, precisa estar aberta. 
Dizia Heráclito "Difícil é a luta contra o desejo, pois o que este quer, compra-o a preço da alma". E há um mercado negro de almas por aí...
O desapego é a cura da alma e poucos se atêm a isso. Fácil falar de fé e nunca aceitar o que a vida coloca a sua porta. Não tenho religião, mas tenho resignação porque assim como dizia Tales de Mileto, eu também creio tudo está cheio de deuses”, e essa certeza me dá paz.







domingo, 21 de outubro de 2012

Outra vez

Há exatamente um ano fui jogada do 20º andar, sem que me dessem tempo de puxar a corda para abrir o pára-quedas. Quebrei-me toda... Cicatrizes que ficarão para sempre. Hoje nem eu as avisto mais, de tão miúdas que se tornaram.  Mas como miúda não quer dizer insignificante, permaneceram as  lições. Vivia por aqui, no blog, expurgando minha dor através da escrita, que entre análise, ansiolíticos e antidepressivos, foi, incontestavelmente o meu remédio mais eficaz. Escrever me cura. O que mais ouvi de amigos foi o famoso "vai passar", e agarrei-me a essa certeza como fosse colete salva vidas em alto mar. E não é que passou mesmo? Esses meus amigos sabem das coisas...
Como disse Heráclitos de Éfeso, filósofo que viveu em 454 aC - Jamais entraremos no mesmo rio duas vezes, pois assim como as águas, nós mesmos já seremos outros. Nunca mais fui a mesma -somei mais um ano de vida, perdi alguns sonhos (mas confesso que ganhei outros), entendi que é preciso  idealizar menos, voltei a enfrentar carro/estrada, a conversar com o eletricista, a criar filho sozinha, a dormir pouco, a não julgar nunca, a pensar ainda mais (se isso é possível). Nada na minha nova realidade me soou como problema, encaro simplesmente, como meu novo jeito de caminhar, acolhido por mim com gratidão.
Não há acaso. E ainda pude me certificar, mais uma vez, o quanto sou corajosa para encarar as mudanças.
Desde pequena sofro da síndrome de "Pollyana Moça", a doce menina que fazia o "jogo do contente" onde a regra era encontrar, em qualquer situação, alguma coisa para ser feliz. E, em decorrência desse "mal",  tive certeza que depois de ter conseguido, finalmente, me levantar sem auxílio de muletas, a vida me pouparia dos tombos por um período significativo, esse era o lado bom. Mas... A campanhia nem soou e, novamente, a decepção invadiu minha casa, minha vida, minha paz... quando a vi, pensei que tivesse sido entregue no errado de endereço. Afinal, a vida não ia  me enviar essa "encomenda"  em espaço tão curto de tempo... Mas a vida não erra endereços. Então, entendi que mais uma vez, estava sendo empurrada do 20º andar, e  novamente não tive tempo de abrir o pára quedas e, inacreditavelmente, a mão que me jogou foi a mesma da outra vez. Não sei se o chão ficou macio, ou se estou mais resistente, pois dessa vez, só quebrei algumas partes e entendi mais rápido que não é porque cai que devo permanecer no chão. Meu aprendizado tem sido muito rico, não me revolto, não lamento, nem mal digo, acato, tiro as lições, agradeço e liberto. Sinto raiva sim, mas antes de tudo, de mim mesma, por nunca aprender que meu semelhante nem sempre é "semelhante" a mim.
Como disse Bob Marley:  "Às vezes construímos sonhos em cima de grandes pessoas... O tempo passa... e descobrimos que grandes mesmo eram os sonhos e as pessoas pequenas demais para torná-los reais." 
Mas sei que há pessoas do mesmo tamanho dos meu sonhos.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Vivendo a vida


Ando improdutiva, tentando entender mais do que nunca, tudo e nada. Sempre tive dificuldade de me distrair da vida. Cedo compreendi que viver pedia seriedade. Não sei andar à margem, sempre mergulho e às vezes nado deliciosamente, mas noutras afogo. Nunca consegui aprender o que me era ensinado, como todos os meus colegas e irmãos, eu sempre queria saber mais -"porque", "como assim", "mas e se". Não fui criança, não tive tempo, ou não quis, não sei... Comprometi-me cedo demais com a vida que ganhei e que buscava a todo custo entender porque ganhara e o que deveria fazer com aquele presente. Por muitos anos sofri por não me permitir ser enquadrada. Até que um dia me acostumei, e passei a viver melhor sozinha que em equipe. Rejeitei qualquer norma, vivia dentro de um eterno quarto de castigo, por tudo e o tempo todo - e meu pai chegava em casa e dizia "Mas de novo? O que ela aprontou dessa vez?" Enquanto minha mãe, histérica, narrava algum fato típico protagonizado por quem acreditava que viver ia muito além do que aquilo que lhe era ensinado. Sozinha entendi que viver precisava do difícil reconhecimento de carma e escolha, e partindo daí, a certeza (talvez a única indiscutível), de que, invariavelmente, jamais poderia colocar a culpa das intempéries sobre os ombros de alguém.
Decepção foi a lição mais mais difícil de todas, mas até isso não poderia ser aliviado apontando o dedo a outrem... Só nos decepcionamos porque colocamos expectativa, e o outro com isso?
Coragem foi minha ilustre companheira, sempre fui primeiro, com a cara e a coragem, para só depois ver como ficava, nada me travou, minha mãe dizia "quando ela tiver filhos vai conhecer limites". Segurei na mãos do filhos e continuei indo, e continuo.
Por longo tempo temi não suportar e ceder ao que seria mais cômodo, e me tornar apenas mais uma nessa manada humana que segue sem rumo, obediente a comandos externos, a maioria desprovido de qualquer significado...todos seguindo juntos para lugar nenhum...
Por vezes tenho medo de cansar de pensar e de cansar de acreditar. Sou genuinamente crédula da alma humana. Porque Deus criaria algo que não valesse à pena? Todos temos o bem dentro de nós, tenho certeza disso. Sinto-me feliz por crer nisso, em minha existência não cabe culpa e nem revolta. Há sorrisos para todos, basta ter olhos para ver.
Viver pede ousadia, quem busca excesso de paz, perde o melhor da vida.
Plagiando Clarice Lispector:
"Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento."







sábado, 13 de outubro de 2012

Definitivamente, minha religião é o amor


Fui convidada para ser madrinha do filho de uma amiga, e precisei frequentar um curso de batismo.  E eu,  que sempre lutei contra tudo aquilo que não tivesse algum significado para mim, escuto do ministrante do curso que o batismo na água é essencial para nossa salvação pois é através desse ato que estamos dizendo a Deus:  “serei seu servo e obedecerei seus mandamentos”.  Mas então quem não foi batizado está condenado para sempre? Jamais será salvo? E, cá para nós, salvo de que? E outra coisa, se o batismo nos salva para que  nos esforçarmos  para evoluir no decorrer de nossa existência? Basta batizar e está tudo certo.
Quem respeita e auxilia o próximo, mas não é batizado, está condenado? E em contrapartida quem é batizado e chuta cachorro e maltrata o semelhante,  está salvo? Obediência cega, não tem valor algum... “Então estude a Bíblia”! Me disse uma amiga. Após 10 anos estudando em colégio de freiras, convenhamos que foi o que mais fiz. Cresci escutando dizer que a Bíblia é a palavra de Deus. Mas quem disse isso? Foi escrita por homens como eu e você. Alguns dizem que eram homens santos.  Não creio...
Quando eu ia a igreja e era chegada a hora do dízimo, tinha que controlar meu desejo de olhar o quanto cada fiel depositava na “sacola do dízimo”, agora ficou bem mais simples, basta ver a porcentagem que cada religião determina que seja cumprida, e buscar conhecer o contra-cheque do fiel.  E ainda ouvi que dízimo é questão de fé... Só se fé aqui tornou-se sinônimo de culpa, como acontece desde a época da inquisição.
A igreja é contra o divórcio, e daí? Quem tem que ser a favor é o casal que está infeliz.
Agora se o fiel crê que seguir essa norma é mais forte do que seguir seu coração que está infeliz na relação, é diferente, ele deve optar por ficar casado, enfim, ele fez sua opção. O Deus no qual eu acredito nos quer em paz, feliz e acima de tudo, espera que sejamos responsáveis pelos nossos atos. Não é preciso que nenhum representante da palavra de Deus na terra interceda e determine nossos atos.
Considero uma temeridade que simples mortais  acreditem que a palavra que professam em nome de Deus, seja a única lei indiscutível a ser seguida.
Regras existem para que sejam seguidas, mas para isso é preciso que se acredite nelas de corpo, alma e coração. Caso contrário, você será apenas um robô obedecendo a comandos externos. Em nome de Deus,  igrejas, por exemplo, expulsam pessoas que cometeram o adultério.  Me poupe! Acha que Deus ia perder tempo com isso? Violar a lei de Deus é maltratar o semelhantes, o resto é questão de consciência, preferência, acertos pessoais.
Como uma igreja que prega solidariedade e fala em nome de Deus, expulsa um servo? Ela deveria acolher seus irmãos em Deus,  lhe dar a mão, dar palavras de apoio e jamais os  condenar. E,  então, no momento em que o “irmão” erra, são justamente  eles quem vão lhe privar da amizade, da compreensão, e do amor que Deus tanto pregou, expulsando-o?  A época da inquisição já terminou!
Sou muito devotada a Deus. Tenho uma fé que move montanhas, mas não deixo que homem nenhum, tão mortal quanto eu, determine minha vida, seja ele pároco, pastor, papa, ou pai de santo. Meu Deus é diferente...  perdoa, acolhe, claro que Ele cobra, como todo Pai, mas dá a mão quando preciso e me diz todos dia quando o sol nasce e mais um dia amanhece “sinta-se livre”. E eu acredito Nele.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Traição Virtual, sim


“Existe traição virtual”?

Convicção pode ser um perigo, mas me arrisco: é óbvio que existe! Se existe relação virtual, existe traição virtual.
Não vejo dificuldade em entender isso a partir do momento em que se acredita que laços verdadeiros podem ser firmados (e desfeitos) através da virtualidade.
Há muito tempo os relacionamentos vêm passando por transformações. As mulheres estão buscando viver de modo singular, libertando-se das posturas que as feministas definiram como sendo modus operandi que garanta o papel da companheira, amante, mãe e dona de casa, sem perder as indubitáveis conquistas do universo feminino. Ocorre que essas mulheres descobrem que seguir uma opção pessoal, independente de manuais, também não é garantia de felicidade.
Enquanto isso, os homens vão tentando se encontrar dentro da relação em que vivem ou buscam viver, perdidos, entre mulheres/Amélia, workaholic, Bridget Jones e fêmea fatal. Também tentando descobrir o tipo de relação que os fará feliz.
Nesse antigo descompasso entre as fórmulas da felicidade conjugal e o que cada um aposta, somos presenteados com o ilimitado mundo virtual abrindo-nos um universo de perspectivas. Somos içados do emaranhado de livros de auto-ajuda que compulsivamente surgem trazendo sempre a “última solução para viver bem a dois”, e entramos em salas de bate papos (o famoso chat).
Troca de experiências, desabafos, conselhos, e percebe-se que o mundo está repleto de pessoas com os mais diversos tipos de questões sentimentais. A cadência de relatos sobre relacionamentos a dois impressiona. Essa constatação de que você não está sozinha em sua queixa, conforta. Pois a colega de ginástica, a cabeleireira, o chefe do escritório, a turma da pelada de domingo, as mães que tagarelam na porta da escola dos filhos, parecem sempre protagonizar o relacionamento perfeito! Quantos deles não estarão, como você, em algum chat? Todos na mesma embarcação, buscando as mesmas respostas.
Ai, um dia, em meio a essa troca despretensiosa, você esbarra (assim mesmo como em uma esquina) com alguém que pensa como você, que gosta das mesmas coisas e que também está ali pela mesma razão - sente-se só, e busca encontrar pessoas afins.
E quando menos se espera estão teclando diariamente, a tela do computador parece pulsar, viva, transmitindo as emoções... E vem a necessidade de esconder esse fato do companheiro/a – apagam-se todas as mensagens, troca-se a senha antes compartilhada, enfim afastam-se, ficando de lados opostos. A meu ver, começa aí a traição. Desfez-se um casal. E, cada dia me convenço mais que certezas em torno dos relacionamentos são como bolhas de sabão...
"Viver deveria ser – até o último pensamento e o derradeiro olhar – transformar-se.”
Ocorre que quando só um acredita nisso, é o começo do fim, o grande descompasso que poderá levá-la/o ao interessante mundo dos relacionamentos virtuais.
Traição é trair a confiança, e isso independe de onde se esteja - se no mundo virtual ou real.   

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Dicas (inúteis)


Amor correspondido nunca deixa dúvidas 
Se há dúvidas o mais certo é que não haja correspondência
Quando uma pessoa deseja a sua companhia, nada é empecilho
Mas se não te deseja, tudo serve como desculpa
Quando se quer ficar ao lado, nada impede
Quando não se quer, nada tem poder de fazer ficar
Não perca tempo criando justificativas para o comportamento de quem se ama
Siga sua intuição
Não modifique seu modo de ser por causa de um relacionamento
Se for por opção, ok
Se for por falta de opção, jamais!
Muitas vezes, menos é mais, devagar é melhor, cuidado é sábio
Não dedique a sua vida a alguém, se ele não dedicar a dele a você
O amor é uma troca sábia onde não se deve pesar nem medir
Final de relação não significa que nada deu certo, mas que tudo tem um tempo certo
Se você não se sentir cuidada, é porque já estragou...Não conserte.
Não mantenha uma relação aguardando que "ele(a) melhore"em suas atitudes... 
O que melhora é gripe e dor de cabeça, e não parceiros
Tenha em mente qual é o seu limite
Respeite-se
As pessoas não são iguais, se para você ganhar rosas é prova de amor, pense que para ele pode não ser. 
Seja sábia para entender os recados da vida, o que é importante não guarda obviedade
Se você sente que ele está te enrolando, provavelmente é porque ele está mesmo.
Ciúme acontece do coração para fora, mágoa acontece do coração para dentro
Não de ouvidos ao ciúme, mas pare tudo e escute sua mágoa
A única pessoa que você pode controlar em uma relação é você mesma.
Não seja desequilibrada a ponto de sentir-se feliz porque você disse "não quero que você vá, e ele não foi"
Sinta-se inteira ao ouvir "não fui porque optei ficar ao seu lado"
Não queira saber mais do que ele quer te contar
Se você desconfia de tudo, o problema mora em você e não no outro.
Se ele te trai o problema mora nele e não em você
Relacionamento pede cadência 
De resto é melodia mal tocada
Manipular é uma boa arma para retardar o inevitável fim
As pessoa só fazem conosco aquilo que permitimos, portanto, não jogue a culpa no outro
Em uma relação entre duas pessoas lúcidas e donas de suas faculdade mentais, jamais haverá vítimas e algozes. 
Somos iludidos só até 15 anos, depois disso damos permissão a ilusão
Não permita que seu amor defina quem é você - você já existia muito antes dele chegar, e ele poderá  somar ou diminuir  você, dependendo da sua  permissividade
E por fim lembre-se que amor não é matemática... 
Muitas vezes 1+1=0
Outras 1+1=1, e é essa que vale à pena
Por fim, mantenha sempre a porta aberta, nenhum amor resiste à falta de ar.

"O medo de ficar sozinha faz que várias mulheres permaneçam em relações, você deve saber que você é a melhor coisa que pode acontecer para alguém, e se um homem te destrata, é ele que vai perder uma coisa boa. Se ele ficou atraído por você à primeira vista, saiba que ele não foi o único. Todos eles estão te olhando, então você tem várias opções.
Faça a escolha certa."


sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Tudo passa, nós ficamos


Como fica mais fácil e mais cômodo levar a vida, quando se pensa "Isso aconteceu porque já estava determinado que fosse assim". Confortável não precisar encontrar os responsáveis, e melhor ainda,  abster-se de qualquer responsabilidade. Mas não é sábio a quem acredita que a vida é maior que o ato.

Concordo que o determinismo que teima nos reger é fruto dos fatores sociais, emocionais e até físicos que experimentamos e que vêm a ser, fortes condutores de nossas atitudes perante a vida. Mas ainda assim, mesmo estando sob o julgo de fatores pré-determinantes, há uma escolha,  mesmo que essa esteja, irremediavelmente baseada naquilo que vimos e sentimos. De fato, somos a soma de nossas experiências, agimos a partir disso, que seria o fator determinante de nossas tendências, mas fator determinante não é fator absoluto. Tendência não pode sobrepujar a consciência.Caso contrário, seriamos eternas marionetes. Será que Deus daria seu sopro de vida a seres condenados a ser eternas criaturas, e nunca criadores? Fazemos parte de uma corrente de elos muitas vezes, aparentemente injustos, mas, na realidade, jamais imprecisos. 

Tudo o que vemos é apenas cenário... Só nós somos eternos. O entorno  sempre poderá ser modificado, basta vontade. Só nós somos a realidade, o resto é palco, cortina e mobiliário... tudo efêmero, passageiro e passível de modificações.
Viver é escolher em qual cenário queremos que se dê o desenrolar de nossa existência em determinado momento. 
Tudo passa, nós ficamos. E esse nós é o que nós fizermos de nós...

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Como agir?



Como agir quando o sofrimento em um relacionamento a dois, chega forçando-nos a uma decisão que possa nos livrar dele fazendo uso do difícil equilíbrio entre emoção e razão? Como tão bem dizem "existem três verdades: a sua, a minha e a verdadeira".  Sendo assim a relatividade de cada história torna-se inesgotável. Tudo sempre pode acontecer e ninguém saberá dizer qual o melhor caminho. Gosto de pensar que, em tese, o problema nunca é de fato a questão pontual, pois ele não está dotado de uma importância inerente, mas sim à importância que damos a eles. E quer importância maior do que descobrir que encontrou o amor? Difícil o uso da razão... Ainda assim, é coerente e lógico o pensamento de que independente desse amor por quem você está sofrendo,  você já existia antes dele. Desligue-se dele e pense que exterminar seu sofrimento  é o seu único problema agora, quem o causou não importa. Tire o foco desse grande amor e vire-o para você.  A partir dessa decisão você está pronto, seja para ir ou para ficar. Nenhuma questão e nenhuma pessoa merece mais destaque do que você mesmo, ainda que seja tão amado por você.
Li em um blog o trecho abaixo que me abriu os olhos para isso:
"O amor tem várias nuances; é importante que amamemos ao nosso próximo, mas é dito que "amemos ao nosso próximo como a nós mesmos"... Agora me digam, onde está o seu amor próprio? Como podem amar alguém se nem sequer se amam e se respeitam, ao ponto de aceitarem "migalhas" do amor de alguém que não está disposto ao menor sacrifício por vcs?"
O sofrimento vem sempre da ilusão... A ilusão de que agora você escolheu o caminho certo, que sua relação é a ideal, seu homem é maravilhoso e que você será amada para sempre. A certeza de você ama não te garante felicidade e muito menos a certeza de que poderá viver esse amor. Aí você se decepciona, cai do cavalo, e é tomada por outra ilusão - de que se você tivesse escolhido outro caminho, deixado o amor de lado e investido naquele outro homem não estaria sofrendo. E sem perceber homens e mulheres passam a vida toda buscando pessoas ideais para protagonizar relacionamentos ideais. E, todos morrem antes de encontrar, porque a insatisfação não parte do seu par, ela é sua, só você pode resolvê-la, ou ficará trocando de pessoas a vida toda. Amor é um só, mas na impossibilidade de vivê-lo descubra como ser feliz de outras formas.
No mesmo blog li: 
"NENHUM de nós é capaz de suprir o “vazio universal” que habita em nossa essência... Como pode alguém ser o responsável por nossa felicidade ou sofrimento, se estes sentimentos independem do outro? Então, como julgar que outrem dependa unica e exclusivamente de nossa presença em suas vidas para serem felizes? Isto soaria como um "endeusamento" pessoal."
Enfim, no fundo será que somos todos dispensáveis?
Antes de decidir se vai ou fica, se manda embora ou se investe novamente na relação, descubra onde  você está, caminhe para dentro. Essa é o única estrada que trará respostas. 











domingo, 30 de setembro de 2012

Ode aos amores tardios

   
Queria ter te conhecido antes, muito antes... 
Num tempo em que nenhum de nós dois tivesse cicatrizes... queria ter estado ao seu lado enquanto você  ainda garimpava diamantes... quando acreditava que  a cura não dependia do veneno. Queria ter sido sua escora na primeira vez em que a vida lhe puxou o tapete... 
Quem me dera ter chegado a tempo de enxugar todas as suas lágrimas, de ter sido seu porto seguro quando você descobriu que viver era navegar em mar revolto... 
Queria ter construído um ninho para nós dois e ali criado nossos filhos e protegido você de toda dor. Queria ter chegado na sua vida quando você ainda acreditava em anjo, para poder lhe dizer: acredita em anjo? Pois então, sou o seu... soube que anda triste, sentindo-se sozinho, desconfiado que ninguém te ama, aí eu vim, estou aqui para cuidar de você, te proteger, te ensinar a sorrir, te compreender sem reservas, te ouvir sem julgar e quando você tiver muito cansado, te embalar para você dormir. 
Queria ter chegado na sua vida quando você ainda sonhava, quando seu coração ainda descobria o que era o amor, quando seu corpo descobria o que era desejo, queria ter chegado antes dos seus sofrimentos, para segurando a sua mão com força, te dar a certeza de que jamais estaria sozinho. Queria ter tido a chance de estar ao seu lado desde sempre para juntos termos aprendido as lições da vida. Queria ter te conhecido ao mesmo tempo em que suas esperanças chegavam,  seus sonhos, ainda  puros e corajosos, brotavam sem temores. Porque não cheguei quando nossas almas ainda guardavam a ingenuidade dos que acabam de nascer? Pena termos nos encontrado só agora... coração viciado, crenças arraigadas, culpas que engessam novas possibilidades... Que pena... logo agora quando já temos imagens tão distorcidas da vida... monstros imaginário imensos a engolir nossa expectativa de futuro. Queria tanto ter te encontrado quanto eu ainda era eu e você era somente você, sem imagens de um espelho a refletir tantas coisas tortas antes de permitir que sua imagem linda reflita e encontre somente a minha. Queria tanto poder construir a partir de agora um "você e eu", diários... para sempre... o resgate de um tempo passado, não vivido e de um futuro cheio de possibilidades, mas tão difícil de acreditar que será vivido. Queria você agora... para juntos construirmos uma nova vida, a vida que não tivemos, num outro tempo, um tempo só nosso... mas  há correntes pesadas demais, nos pés e na alma... A única chance seria acionar nossas asas, mas é preciso muita coragem para tirar os pés do chão... Tirei os meus desde que te encontrei... estou à sua espera... e quando você não mais puder sentir o vento das minhas asas em suas costas,  é porque voei... para longe... e para sempre...



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